O Ministério da Saúde recebeu, em fevereiro, o primeiro lote do medicamento genérico do Efavirenz, uma das 17 drogas que compõem o coquetel antiaids. A produção nacional ficou a cargo do Instituto de Tecnologia de Fármacos (Farmanguinhos), ligado à Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz).
A primeira encomenda é composta por 2,1 milhões de comprimidos, de um total de 15 milhões que o laboratório disponibilizará até o fim do ano. O objetivo é que a produção nacional contemple toda a demanda interna do medicamento (30 milhões de comprimidos por ano) em 2010. Atualmente, cerca de 185 mil pessoas no Brasil estão em tratamento contra a Aids. Delas, 85 mil tomam o medicamento.
Até dois anos atrás, o governo brasileiro pagava cerca de US$ 1,56 por comprimido para o laboratório americano Merck, que detinha a patente do produto. Com o licenciamento compulsório, o país começou a importar a droga pré-qualificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), do laboratório indiano Ranbaxy, ao custo de US$ 0,46, pouco mais do que R$ 1, atualmente. Já a produção brasileira sairá por R$ 1,35 a unidade. Segundo a assessoria de imprensa do Farmanguinhos, a diferença para cima entre os preços praticados pelo laboratório indiano e o brasileiro ocorre em função de pagamento de impostos.
O Efavirenz é o oitavo medicamento do coquetel antiaids produzido por Farmanguinhos. Também são estudadas as possibilidades de se fabricar nacionalmente outras duas drogas, mas de acordo com o ministro da Saúde ainda não há interesse, pelo menos por enquanto, de se decretar licenciamento compulsório de outros medicamentos.