Recente descoberta abre caminho para a identificação de mulheres resistentes ao tratamento de fertilidade. Pesquisadores da Universidade de Yale descobriram que algumas mulheres carregam uma variação genética que as torna sub-férteis e menos propensas a responder ao estímulo de hormônios ovarianos durante o tratamento.
A descoberta foi anunciada na 26ª Reunião Anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, em Roma, nesta terça-feira (29). Maria Lalioti, e sua equipe, descobriram que algumas mulheres possuem um hormônio receptor anormal em células vizinhas ao oócito. Este receptor anormal prejudica a função normal dos receptores, fazendo com que as mulheres afetadas não respondam bem ao hormônio folículo estimulante (FSH), dado às mulheres durante o tratamento de fertilidade para estimular a produção de mais de um oócito.
"Quando uma mulher se submete à fertilização in vitro, ela recebe um medicamento chamado hormônio folículo estimulante para produzir mais de um ovócito, que é a produção normal de cada mês. Células chamadas células da granulosa, que circundam o ovócito, ao receber o FSH, excretam outros fatores que alimentam o ovócito" , disse Lalioti, professora assistente do Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Ciências Reprodutivas na Universidade de Yale.
Ela explica, ainda, que as células da granulosa têm proteínas em sua superfície, chamadas receptores de FSH (ou FSHR), que furam o hormônio e, em seguida, transmitem sinais para o interior da célula. " Quando nós olhamos uma parte dessas células da granulosa em laboratório, vimos que em algumas mulheres que produziram poucos ovócitos, houve alguns receptores em que faltava um pedaço de proteína".
A descoberta do mecanismo por trás da má resposta de algumas mulheres jovens ao FSH ajudará pesquisas futuras e o tratamento dessas mulheres. "Nossa descoberta explica por que essas mulheres têm uma menor resposta ao FSH. Atualmente, o FSH é o único medicamento usado para estimular a resposta do ovário, mas uma vez que outros medicamentos que podem ignorar o receptor FSH sejam disponíveis, eles poderão ser testados nessas mulheres".
Pesquisas futuras examinarão os mecanismos de sinalização do FSH dentro da célula e vão mostrar como algumas drogas poderão ultrapassar os problemas criados pela anormalidade genética.