Saúde Pública
publicado em 19/06/2010 às 13h00:00
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Mais de 30% dos doentes renais brasileiros correm riscos de morte

 
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Foto: Bruna Carvalho/UFMG
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Paciente realiza tratamento de hemodiálise no Serviço de Hemodiálise do Hospital das Clínicas da UFMG Pessoa realiza o tratamento de hemodiálise Close do aparelho e da pessoa durante hemodiálise
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Paciente realiza tratamento de hemodiálise no Serviço de Hemodiálise do Hospital das Clínicas da UFMG
Pessoa realiza o tratamento de hemodiálise
Close do aparelho e da pessoa durante hemodiálise

Quase um terço, mais exatamente 31,25% dos pacientes renais brasileiros estão expostos a maiores riscos de infecção, internação e inclusive de morte. A afirmação é da dentista Gisele Macedo, autora de dissertação de mestrado em Saúde Pública, na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Para seu trabalho, ela analisou uma população de 25.557 pacientes que iniciaram tratamento hemodialítico entre 2000 e 2004, pelo SUS. Segundo ela, 80% dos pacientes com doenças renais crônicas começam o tratamento com um tubo, o cateter, que deve ser de uso temporário.

A recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é de que o prazo máximo para uso de " acesso de emergência" seja de 90 dias. Apesar disso, " 25% de todos os pacientes em tratamento com o cateter no Brasil estão em média permanecendo quatro meses com ele. Um mês a mais correndo riscos desnecessários" , afirma a autora. Mas, ela avalia ainda que a média esconde uma realidade mais séria. " Foram observados casos extremos, em que o paciente chegou a ficar até quatro anos com o cateter" , alerta.

" O correto seria encaminhar esses pacientes rapidamente para a confecção de um acesso vascular permanente, chamado fístula artério-venosa, ou FAV" , esclarece a orientadora da pesquisa Mariângela Leal Cherchiglia, doutora em saúde pública e professora do Departamento de Medicina Preventiva e Social.

Além da demora no encaminhamento, as pesquisadoras afirmam também que há um número insuficiente de profissionais disponíveis no SUS para fazer a FAV. E, ainda, que os próprios portadores das doenças renais não exigem esse encaminhamento dos médicos, pois desconhecem a necessidade. Por isso, " a divulgação ampla desse fato é muito importante para que o cidadão possa exigir os seus direitos" afirma a autora.

A pesquisa

Os números foram gerados a partir de bases de dados desenvolvidas pelo Grupo de pesquisa de Economia da Saúde, da Faculdade de Medicina da UFMG (GPES/UFMG), que reuniu informações do Sistema Único de Saúde.

" Utilizamos uma metodologia que trouxe resultados que refletem a realidade do Brasil e não somente de Belo Horizonte ou de Minas Gerais. Foram identificadas ainda importantes variações entre as regiões do país" , afirma.

Mariângela Cherchiglia chama a atenção para o fato de que quase 70% dos atendimentos são feitos por clínicas privadas conveniadas com o Sistema Único de Saúde. " Não podemos afirmar que há interesse financeiro dessas clínicas em manter o paciente usando o cateter. Na maioria das vezes, poderíamos classificar como um descuido" , afirma a professora.

A pesquisa foi também co-orientada pelas professoras Eli Iola Gurgel Andrade também do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade e Eleonora Moreira Lima, pediatra do setor de hemodiálise do Hospital das Clínicas.

Melhor prevenir do que remediar

A doença renal crônica tem como causas, a hipertensão arterial e o diabetes mellitus. Isso significa dizer que boa parte desses pacientes já está sendo atendido pelos Centros de Saúde.

Segundo as pesquisadoras, esse atendimento poderia ser uma forma de se evitar ou retardar a chegada do paciente renal à condição de doente terminal.

" Estudos mostram que a população frequenta os Centros de Saúde, mas, pelo que tudo indica, os médicos não estão se lembrando de monitorar o funcionamento dos rins" , alerta a professora. Para reverter o quadro, o grupo defende a criação de campanhas de incentivo ao monitoramento do funcionamento renal, tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde.

Além disso, é sugerida a utilização do período entre a entrada do paciente na clínica de diálise até o dia da confecção do acesso vascular permanente (FAV) como indicador de qualidade que possibilite o monitoramento desses serviços. " Acredito que, assim, as clínicas de hemodiálise se esforcem para diminuir esse prazo" , conclui Gisele Macedo.

Fonte: UFMG
   Palavras-chave:   Hemodiálise    Doente Renal    Anvisa    UFMG    Cateter   
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