Saúde Pública
17.05.2010
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Avaliada a influência da dieta sem glúten de trigo no emagrecimento

Foram observadas alterações físicas ocorridas em um grupo camundongos com alimentação rica na proteína e outro sem a substância

 
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Foto: Diogo Domingues / UFMG
Fabíola Lacerda, é nutricionista e pesquisadora da UFMG
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Fabíola Lacerda, é nutricionista e pesquisadora da UFMG

A balança é a grande inimiga de muita gente. As pessoas são capazes de tudo para perder aqueles " quilinhos a mais" que tanto as incomodam. E é nessa busca pelo corpo ideal que começam a surgir versões sobre o impacto que cada alimento tem sobre os ponteiros da balança: " esse engorda, aquele emagrece, aquele outro faz mal à saúde" , e por aí vai.

A nutricionista Fabíola Lacerda conta que, na época em que trabalhava em supermercados, era procurada por pessoas interessadas em saber quais alimentos poderiam ajudar a perder peso. " Muita gente perguntava se era verdade que os produtos sem glúten eram bons para emagrecer. Como não havia pesquisas confirmando ou desmentindo essa hipótese, decidi focar meus estudos nessa área" , afirma. Os resultados obtidos com esse trabalho foram organizados na dissertação Efeitos de dieta isenta de glúten em modelo experimental de obesidade, defendida por Fabíola em março, na Faculdade de Farmácia.

" O objetivo da dissertação foi avaliar se a exclusão do glúten de uma dieta poderia ter algum papel na prevenção da obesidade e de suas complicações metabólicas" , explica a pesquisadora. Para isso, ela observou durante oito semanas as alterações físicas ocorridas em um grupo de camundongos com alimentação rica em glúten de trigo e em outro cuja dieta não continha essa proteína. Os resultados mostraram que o ganho de peso dos animais que não ingeriram glúten foi 22% menor que o daqueles que ingeriram a substância. O grupo da dieta sem glúten apresentou ainda ganho de gordura visceral 33% menor e uma diferença de 17% a menos na taxa de glicose no sangue em jejum.

Segundo Fabíola Lacerda, os resultados são promissores, mas é preciso avançar ainda mais nos estudos antes de testar a dieta em humanos. " No meu doutorado, pretendo pesquisar quais mecanismos levaram aos efeitos observados para saber se a dieta sem glúten também ajuda a prevenir a obesidade em seres humanos" , afirma. A nutricionista lembra ainda que, mesmo com resultados positivos, uma dieta sem glúten não impediria isoladamente o surgimento de uma doença como a obesidade, que é multicausal. " São necessárias diversas medidas preventivas ou terapêuticas para combater a obesidade. Se os efeitos observados na pesquisa se confirmarem em humanos, serão um fator a mais na prevenção e tratamento da doença, mas sempre associados a uma alimentação equilibrada e à prática de atividade física" , conclui Fabíola.

Quem não pode comer

Desde 1992, as empresas que fabricam produtos que contêm glúten são obrigadas a indicar em suas embalagens a presença ou não da substância. Essa indicação não é destinada a quem quer emagrecer, mas a portadores da doença celíaca. Pessoas com essa doença demonstram intolerância ao glúten por não possuírem a enzima responsável pela quebra dessa proteína. Em consequência disso, a ingestão de alimentos com glúten pode danificar as paredes do intestino delgado dos celíacos, causando diarreia, anemia e outras reações agressivas ao corpo.

" As pessoas que apresentam a doença celíaca precisam retirar o trigo de sua alimentação diária, tomando cuidado para que isso não prejudique sua dieta de carboidratos" , explica Fabíola, lembrando que a doença não possui tratamento, podendo ser somente controlada. Para substituir o trigo, o celíaco ou qualquer indivíduo interessado em cortar o glúten da sua dieta alimentar pode optar pelas farinhas de milho e mandioca, fubá, polvilho, quinua, fécula de batata, amido de arroz e diversos outros produtos.

Para Fabíola Lacerda, é fácil, hoje em dia, encontrar alimentos sem glúten no mercado, e a tendência é que esse setor cresça nos próximos anos. " Assim como os produtos diet, que há alguns anos eram muito criticados pelo gosto ruim, os produtos sem glúten estão muito mais saborosos e vêm ganhando cada vez mais espaço nas prateleiras dos supermercados" , afirma a nutricionista.

Para crescer sem murchar

Com certeza, o leitor já viu a expressão " contém glúten" em alguma embalagem de bolo ou pacotinho de macarrão. O glúten é uma proteína encontrada em diversos cereais, como aveia, cevada, centeio e, principalmente, no trigo. Neste último, ele é o grande responsável pela capacidade de fermentação que dá liga à massa, sendo essencial para fazer o alimento " crescer" .

" Sem o glúten, o pão cresceria, mas logo depois murcharia. Ele funciona como uma espécie de esqueleto da massa, que a mantém inflada" , compara Fabíola Lacerda. Em sua pesquisa, a nutricionista estudou apenas o glúten de trigo, mas ela pretende realizar testes com o glúten encontrado em outros cereais. " Como o trigo possui taxa de glúten mais elevada, talvez seja o único a apresentar resultados expressivos como os revelado pela dissertação" , especula Fabíola.

Fonte: UFMG
   Palavras-chave:   Glúten    Proteína    Dieta    Alimentação    Obesidade    Metabolismo   
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