Estudos realizados nos laboratórios de Pesquisa e Desenvolvimento da Fundação Ezequiel Dias (Funed) revelam que substâncias encontradas em plantas típicas do cerrado brasileiro contém potenciais agentes contra a multiplicação do rotavírus (vírus causador de infecções no sistema gastrointestinal) e do Dengue vírus (vírus transmissor da dengue).
Foram coletadas 20 amostras de plantas na região de cerrado do Estado de Minas Gerais, que passaram por um processo de caracterização e fracionamento em laboratório. A equipe de pesquisadores da Funed identificou a presença de várias substâncias, mas um componente em especial, chamado Flavonoide, chamou a atenção dos profissionais. Durante os testes virais, realizados em células (in vitro), essa substância atuou diretamente contra os dois tipos de vírus (rotavírus e Dengue-vírus).
O Flavonoide foi encontrado no extrato bruto das amostras de plantas da família do jatobá (gênero Hymenaea), da gabiroba (gênero Byrsonima), da cagaita (gênero Eugenia) e da aroeira (gênero Myracrodruon). A coordenadora da pesquisa e chefe do Serviço de Virologia Molecular e Bioprodutos da Funed, Alzira Batista Cecilio, alerta a população de que a pesquisa não revela a efetividade da ação antiviral da substância, simplesmente por meio do consumo de chás feitos a partir das plantas. " O preparo de chás para combater viroses não é indicado, pois não foram feitas pesquisas com a aplicação destes produtos, mas sim com o extrato bruto da planta. A descoberta poderá contribuir para o desenvolvimento de novas pesquisas e para o desenvolvimento de novos medicamentos" , esclarece.
O próximo passo, segundo Alzira Batista Cecilio, é desvendar como a substância Flavonoide age contra a multiplicação dos vírus. Na sequência, deverão ser feitos testes com animais e em humanos (testes clínicos) para no futuro, serem produzidos medicamentos eficazes no combate às doenças virais. " Isso é uma novidade no Brasil, pois não temos antivirais naturais que efetivamente estejam sendo utilizados. E a inovação maior é que ele poderá vir de uma planta que está sendo obtida de nossa própria biodiversidade" , informa Alzira.
Atualmente, segundo a pesquisadora, não há no mercado nacional nem de outros países, com exceção dos medicamentos usados no tratamento da Aids, um medicamento que atue diretamente no combate aos vírus.