Pesquisadores da Universidade da Califórnia conseguiram realizar, pela primeira vez, uma captação dos chamados neurônios-espelho no cérebro humano, provando a sua existência.
Os neurônios-espelho são as células no cérebro que se ativam não apenas quando realizamos uma determinada ação, mas também quando observamos alguém realizar essa mesma ação. Os neurocientistas acreditam que este "espelhamento" é o mecanismo pelo qual podemos "ler" a mente dos outros e ter empatia com eles. É como podemos "sentir" a dor de alguém.
O maior problema enfrentado pelos pesquisadores era que não havia nenhuma prova de que os neurônios-espelho existiam, apenas suspeitas e provas indiretas. Agora, o neurocirurgião e psiquiatra, Itzhak Fried, juntamente com o autor principal do estudo, Roy Mukamel, realizaram a gravação direta dos neurônios-espelho.
Os investigadores registraram as atividades das células individuais e das células múltiplas, não só nas regiões motoras do cérebro onde os pesquisadores achavam que esses neurônios existiam, mas também em regiões envolvidas na visão e na memória.
Além disso, eles mostraram que subgrupos específicos de células-espelho aumentaram sua atividade durante a execução de uma ação, mas reduziram a sua intensidade quando uma ação foi apenas observada.
"Nós supomos que a diminuição da atividade das células, quando se observa uma ação, pode ser uma tentativa de inibir o observador de executar automaticamente a mesma ação", disse Mukamel. "Além disso, este subconjunto de neurônios-espelho pode nos ajudar a distinguir as ações de outras pessoas, de nossas próprias ações".
Os pesquisadores extraíram seus dados diretamente do cérebro de 21 pacientes com epilepsia refratária que estavam sendo tratados. Os pacientes foram implantados com eletrodos intracranianos em profundidade para identificar focos de apreensão para o tratamento cirúrgico potencial. A localização do eletrodo foi baseada exclusivamente em critérios clínicos.
O experimento consistiu em três partes: as expressões faciais, a compreensão e um experimento de controle. Atividades de um total de 1.177 neurônios nos 21 pacientes foram registradas, quando os pacientes observavam e quando compreendiam ações e gestos faciais. Na fase de observação, os pacientes que eram observados apresentaram várias ações em um computador laptop. Na fase de atividade, os participantes foram convidados a executar uma ação baseada em palavras apresentadas visualmente. Na tarefa de controle, as mesmas palavras foram apresentadas e os pacientes foram orientados a não executar a ação.
Os pesquisadores descobriram que os neurônios mostraram sua maior atividade, tanto quando o indivíduo realizou uma tarefa, quando observaram uma tarefa. Os neurônios-espelho foram localizados no córtex frontal e córtex temporal medial, dois sistemas neurais, onde respostas ao nível de uma única célula não tinham sido previamente gravadas, nem mesmo em macacos.
"O estudo sugere que a distribuição dessas células únicas, ligando a atividade de uma pessoa com a dos outros, é maior do que se acreditava anteriormente", disse o também autor sênior do estudo, Fried.
"É também suspeito que a disfunção das células-espelho pode estar envolvida em desordens como o autismo, onde os sinais clínicos podem incluir dificuldades de comunicação verbal e não- verbal, imitação e empatia pelos outros", disse Mukamel. "Portanto, obter uma melhor compreensão do sistema de neurônios-espelho pode ajudar a planejar estratégias para o tratamento de transtornos desse tipo".