Em função das fortes chuvas que caíram sobre o Rio de Janeiro, na última semana, e que afetaram, principalmente, as regiões Metropolitana e Baixada Litorânea, a Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil do Estado (Sesdec) promoveu, nesta segunda-feira (12), uma Teleconferência sobre Doenças de Veiculação Hídrica. A Teleconferência, uma parceria entre a Sesdec e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), foi veiculada para gestores e profissionais de Saúde dos municípios do Estado do Rio de Janeiro por meio do Telessaúde, sistema de vídeo-conferência da UERJ localizado no Hospital Universitário Pedro Ernesto. O objetivo foi orientar os municípios quanto às possíveis consequências das enchentes relacionadas à ocorrência das doenças transmitidas pelo acúmulo das águas das chuvas, entre elas a leptospirose, e quanto às medidas de controle pertinentes a cada situação.
" Neste primeiro momento realizamos a capacitação de profissionais de saúde dos municípios. Agora vamos convocar as prefeituras para que, ao longo dessa semana, secretários e gestores convidem líderes e conselhos municipais de saúde para assistirem em auditórios uma palestra voltada para a população, abordando principalmente como identificar os sintomas e de que maneira proceder em caso de contágio" , explicou o secretário Sérgio Côrtes.
A Teleconferência promovida hoje foi ministrada pelos infectologistas Celso Ramos e Marisa Santos. Celso Ramos, professor da UFRJ e presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, falou sobre o diagnóstico e tratamento de doenças de veiculação hídrica. Já Marisa Santos, coordenadora de Clínica Médica da Subsecretaria de Atenção à Saúde da Sesdec, apresentou um fluxograma para orientar o atendimento a pacientes com leptospirose.
" Conseguimos abordar os principais pontos sobre atendimento imediato, o início precoce da administração de medicamentos, além do reconhecimento das formas mais graves de leptospirose, doença que aparece com mais frequência e também considerada a mais grave em decorrência das chuvas" , avaliou a coordenadora de Clínica Médica da Sesdec, Marisa Santos.
Para o professor Celso Ramos iniciativas como essa funcionam como uma medida preventiva do Estado, de grande importância para a população.
" A experiência clínica comprova que a informação é a melhor forma de prevenção. A leptospirose, por exemplo, depende da rapidez do diagnóstico e da qualidade do tratamento. E essa divulgação direcionada é extremamente importante, pois pode ajudar a reduzir a letalidade por meio da doença, hoje em torno de 10%" , destacou.
A parceria com a UERJ garantiu a rapidez na organização e na realização da teleconferência que também permitiu aos espectadores interagir com os palestrantes e tirar dúvidas em tempo real.
" Graças à iniciativa da Sesdec foi possível dar aos municípios de uma forma dinâmica a dimensão da atual situação do Estado e as providências para prevenir doenças, considerando a possibilidade dos profissionais participarem do treinamento sem sair de seus locais de trabalho" , comentou o diretor do Hospital Universitário Pedro Ernesto,
Doenças como Leptospirose, Dengue, Hepatite e Gastroenterite Aguda com frequência começam a acometer a população que teve contato com água parada alguns dias após chuvas intensas. A Leptospirose, no entanto, é a principal delas, pois pode ter um período de transmissão de dois a 15 dias após enchentes e alagamentos. Em 2010, até o dia 07 de abril, foram notificados 258 casos no Rio de Janeiro. Os municípios mais atingidos são Belford Roxo (35), Rio de Janeiro (34), Duque de Caxias (33), Nova Iguaçu (30) e Volta Redonda (20). E 43 municípios não registraram casos suspeitos nos três primeiro meses do ano.