Saúde Pública
publicado em 13/04/2010 às 19h10:00
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Uma pesquisa realizada na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP revela as dificuldades e vulnerabilidades enfrentadas pelas famílias de prematuros egressos de Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). O estudo evidencia a necessidade de ampliação do cuidado, a importância da longitudinalidade da atenção à saúde e da integração entre os saberes técnico-científicos e os práticos.

" Mesmo tendo passado seus primeiros dias em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal e adquirido condições de sobreviver fora do ambiente hospitalar, essas crianças precisam de cuidados integrais e contínuos, em especial na interação entre família e serviços de saúde" , recomenda a enfermeira Cláudia Silveira Viera, autora do estudo que foi premiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em 2009.

O objetivo do estudo foi compreender as experiências de famílias de crianças pré-termo e de baixo peso ao nascer, egressas de UTIN, no cuidado após a alta hospitalar. A ideia, segundo a pesquisadora, é oferecer subsídios ao cuidado de enfermagem tanto na área hospitalar quanto na atenção básica em saúde. Os avanços tecnológicos alavancaram a melhoria da assistência nessas unidades e hoje é maior o número de recém-nascidos pré-termo e de baixo peso que sobrevivem.

Vencendo barreiras

Cláudia fez a pesquisa com 16 integrantes de seis famílias na cidade de Cascavel, no interior do Paraná. Para ela, é importante uma reconstrução das práticas de saúde em vários âmbitos. " O profissional da saúde precisa avaliar a criança e conhecer sua família para ultrapassar o conhecimento técnico e incorporar a integralidade do cuidado. Só assim, vai vencer as barreiras apresentadas nos serviços de saúde, que precisam estar inseridos em rede para consolidar o Sistema Único de Saúde (SUS)" , avalia.

As famílias dessas crianças, principalmente as mães, apresentam dificuldades com a rotina de cuidados, amamentação, alimentação, higiene, observação de sinais e sintomas, uso de medicamentos, os retornos aos serviços de saúde e, ainda, insegurança e receios com a prematuridade. Esses aspectos podem comprometer o desenvolvimento e crescimento da criança prematura e de baixo peso, porque contribuem para a não detecção precoce de distúrbios e a não adesão ao acompanhamento à saúde, além de levar a morbimortalidade. Por isso, os serviços de saúde precisam se organizar em rede e oferecer um seguimento qualificado, com maiores interfaces entre os serviços especializados e a atenção básica.

De acordo com a professora Débora Falleiros de Mello (EERP), orientadora da pesquisa, o sistema de saúde ainda tem lacunas para atender essa clientela, que são crianças com características específicas. " O acompanhamento dessas crianças após a alta da UTIN é uma estratégia relativamente recente no nosso País e que ainda não está amplamente fortalecida. Particularmente na enfermagem brasileira, onde as experiências para o seguimento de pré-termos e egressos da UTIN têm sido pouco divulgadas e restritas a determinados serviços. É preciso que se amplie as discussões do ponto de vista de um cuidado integral à saúde da criança e sua família" , afirma a orientadora.

Metodologia

O primeiro contato com um dos membros da família foi realizado ainda na UTIN, em geral com a mãe. Após a alta, as famílias que consentiram participar da pesquisa foram visitadas e as mães indicavam as pessoas significativas para ela e para o cuidado com o seu filho, tais como pais, irmãos, tios, tias, avós e vizinhos. As visitas aconteceram a partir da primeira semana após a alta hospitalar, semanalmente no primeiro mês, quinzenalmente no segundo mês e uma no terceiro mês. Participaram bebês com idade gestacional menor que 37 semanas e baixo peso ao nascer. Foram realizadas entrevistas gravadas e observação participante com registros em diário de campo. A questão norteadora da pesquisa foi: " como tem sido cuidar do seu filho em casa?" .

Na cidade de Cascavel está sendo implementado o seguimento de enfermagem junto à equipe do Hospital Universitário para atendimento das crianças pré-termo e de baixo peso após a alta hospitalar. " O atendimento proposto inclui visitas com orientações e intervenções, avaliação das necessidades das famílias e do bebê, comunicação interinstitucional com os profissionais da atenção básica e outros setores sociais" .

A tese de doutorado Experiências de famílias no seguimento de crianças pré-termo e de baixo peso ao nascer no município de Cascavel - Paraná, do Programa de Pós-Graduação: Enfermagem em Saúde Pública da EERP, foi defendida em 2007 e premiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em 2009.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Prematuro    UTIN    Neonatalogia    Capes    EERP    USP   
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