Ciência e Tecnologia
publicado em 08/04/2010 às 13h20:00
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Foto:André Oliveira/USP
Foto:André Oliveira/USP
Câmara de ensaio com as próteses imersas em fluido lubrificante e temperatura controlada em 37 graus Vista geral do simulador em funcionamento
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Câmara de ensaio com as próteses imersas em fluido lubrificante e temperatura controlada em 37 graus
Vista geral do simulador em funcionamento

A Escola Politécnica (Poli) da USP acaba de desenvolver o Simulador Multiaxial de Movimento Humano. Trata-se do primeiro equipamento nacional capaz de testar próteses ortopédicas de articulações como, quadril, joelho, coluna, ombro e tornozelo, comercializadas no Brasil. De acordo com o engenheiro e doutorando André Luís Lima Oliveira, a máquina encontra-se em funcionamento e realiza ensaios especificados pela normas internacionais para controle de qualidade que estão sendo implantadas no país. Enquanto a importação de uma máquina para este fim custa, em média, R$ 1 milhão, o equipamento da Poli custou R$ 35 mil.

O simulador realiza ensaios de acordo com as normas internacionais. Para testar uma prótese, o simulador reproduz o movimento da articulação como na caminhada humana e em sua plenitude, de acordo com o tipo de prótese inserida na máquina. " Para os testes, consideramos que um paciente com idade superior aos 60 anos caminha, em média, 1 milhão de passos [ciclos] por ano. Assim, o equipamento testa a prótese até completar 10 milhões de ciclos, o que equivale à durabilidade de 10 anos, conforme normas utilizadas" , diz Oliveira. Com essa analogia, as próteses testadas não ultrapassariam 1 milhão de passos caso estivessem implantadas em pacientes.

Segundo as normas internacionais, as próteses de articulação são testadas para durar, no mínimo, dez anos, o que representa 10 milhões de ciclos na máquina. Oliveira explica que no Brasil, até o presente, a única exigência feita aos fabricantes e comerciantes nacionais é a apresentação de cartas declaratórias à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). " Em breve, teremos implantadas no Brasil duas normas: a ABNT NBR ISO 14242-1 e 14242-3, para controle de qualidade das próteses de quadril, e duas normas ABNT NBR ISO 14242-1 e 14242-3, para controle de próteses de joelho. O mesmo simulador pode realizar ensaios com qualquer uma das normas citadas" , garante o engenheiro.

Garantia de qualidade

Oliveira alerta que uma autorização fundamentada em simples carta declaratória não garante a qualidade das próteses produzidas e comercializadas por aqui. O simulador desenvolvido por ele já testou algumas próteses de quadril nacionais e nenhuma durou mais que 1 milhão de ciclos, o que corresponde a 1 ano de uso clínico.

Os componentes protéticos testados foram construídas em polímero e metais. Oliveira explica que o problema não é somente com relação aos materiais, mas questões relacionadas ao processo produtivo afetam diretamente no desempenho dos produtos. " No mundo, existem poucos fabricantes consagrados de prótese de quadril, enquanto só no Brasil existem mais de 10 empresas" , conta.

De acordo com Oliveira, as próteses brasileiras são largamente comercializadas no Mercosul e em alguns países do oriente médio. " Por questões políticas, em relação à Europa e EUA, alguns países preferem adquirir produtos brasileiros " , explica.

O desenvolvimento do simulador teve início em 2006, no programa de doutorado de Oliveira. " Na oportunidade, o professor Raul Gonzalez, orientador do trabalho, havia desenvolvido um trabalho computacional que não era suficiente para entender as falhas existentes nas prótese reais. Diante do custo dos importados e partir dessa necessidade, decidi construir o meu próprio simulador" , lembra Oliveira. O baixo custo na construção do simulador se deve à manufatura das partes da máquina terem sido feitos por ele que também usa tecnologia aberta para controle do equipamento.

Oliveira lembra ainda que um dos grandes incentivadores e colaboradores do projeto foi o ortopedista Roberto Dantas Queiroz, especialista em cirurgias de quadril. O engenheiro aponta ainda estudos que comprovam a crescente incidência de casos de fraturas seguidas de intervenções cirúrgicas para inserção de prótese de articulações. E que, as estimativas apontam que em 2050 mais de 6,3 milhões de pessoas serão submetidas as cirurgias de reconstituição articular por ano. No Brasil, um dos poucos estudos sobre o tema, relata o alto índice de 343 casos de fraturas do fêmur para cada 100 mil habitantes com idade acima de 60 anos.

Fonte: USP
   Palavras-chave:   Prótese    Simulador    Articulação    Poli    Movimento    USP   
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