Saúde Pública
publicado em 07/04/2010 às 13h45:00
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Foto:Ligya Aliberti/UNESP
Pesquisadoras Maria Tercília e Rosana
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Pesquisadoras Maria Tercília e Rosana

Um século após a descoberta da Doença de Chagas, essa patologia ainda consiste em um sério problema de saúde, sobretudo pelo desconhecimento das pessoas quanto às formas de prevenção e pela ausência de condições eficazes para combater a enfermidade descoberta em 1909 pelo médico brasileiro Carlos Chagas (1879-1934).

É para esse quadro que aponta um levantamento de pacientes chagásicos e de barbeiros (espécies dos gêneros Triatoma, Rhodnius e Pantrongylus), insetos transmissores da doença, na região de São José do Rio Preto. O trabalho, resultado da pesquisa de doutorado realizado no Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), câmpus de Rio Preto, pelas pesquisadoras Maria Tercília Vilela de Azeredo Oliveira e Rosana Silistino de Souza, em parceria com a Superintendência de Controle e Endemias (Sucen) e o Hospital de Base, mostrou que o Mal de Chagas ainda está ativo nessa área, afetando até mesmo indivíduos de pouca idade. Maria Tercília é orientadora do trabalho de Rosana.

A Doença de Chagas infecta o homem com o parasita Trypanosoma cruzi, por meio das fezes do inseto triatomíneo barbeiro, seu principal vetor. A transmissão ocorre por diferentes meios, como transfusão de sangue; via oral, por alimentos contaminados com o protozoário; congênita, pela via transplacentária; manuseio de animais silvestres e domésticos; transplantes de órgãos de pacientes infectados; e acidentes em laboratórios e hospitais.

Dados concedidos pela Sucen, que monitora notificações de barbeiros realizadas pela população de 31 municípios na região de Rio Preto, revelam que, de 2004 a 2009, foram notificados 2.475 exemplares de triatomíneos. Em inspeções realizadas nesses domicílios após as notificações, foram capturados mais 13.469 triatomíneos, principalmente em Rio Preto, Catanduva, Jales, Fernandópolis e Votuporanga.

Dentro e fora de casa

A investigação nesses locais mostrou que os barbeiros estavam tanto dentro das casas quanto na área externa, além de ninhos ou abrigos de aves e animais domésticos. " Por ter uma aparência muito similar à de insetos fitófagos, ou seja, que se alimentam de plantas, o barbeiro não é facilmente identificado pelas pessoas, que acabam ficando expostas à doença" , explica Rosana.

Uma das principais razões da proximidade física do barbeiro com o homem foi a invasão de espaços ecológicos antes inabitados, segundo a pesquisadora. " A destruição de habitats naturais, principalmente para exploração de áreas habitáveis e de cultivo, tem provocado um crescimento descontrolado dos municípios em muitas regiões do país, com habitações precárias e falta de educação sanitária e de saneamento básico" , observa a pesquisadora. " Todas essas ações favorecem a domiciliação dos vetores, como forma de refúgio, em busca de abrigo e alimento, mantendo a transmissão da doença de Chagas" .

Para a especialista, a presença dos triatomíneos no ambiente doméstico, aliada à falta de conhecimento das pessoas sobre a doença, explica o alto número de pacientes chagásicos na região: setecentos, conforme dados do Departamento de Cardiologia, do Hospital de Base de São José do Rio Preto, sob a responsabilidade de Reinaldo Bestetti. A cardiomiopatia, a mais importante e severa manifestação da doença de Chagas, atinge 44% deles.

Baixa renda

De acordo com Rosana, os dados mostram ainda que as profissões exercidas pelos pacientes demonstram a baixa renda dos indivíduos, confirmando a precariedade geral da vida dos contingentes humanos mais expostos à infecção. " Os pacientes apresentam idade variável de 0 a 92, o que mostra que a doença ainda está ativa, atingindo pessoas de pouca idade" .

Para Maria Tercília, o levantamento indica a necessidade de mais controle das espécies de triatomíneos e de vigilância para evitar novos casos da doença. " Apesar de atual, como mostramos nesse trabalho, o Mal de Chagas é uma doença negligenciada, pois, embora seja mais bem conhecida, não se criaram condições eficazes para combatê-la" .

Para um controle vetorial adequado, também são necessários estudos e conhecimentos mais amplos acerca dos triatomíneos e da Doença de Chagas, concluem as pesquisadoras.

Fonte: UNESP
   Palavras-chave:   Doença de Chagas    Mal de Chagas    Patologia    Ghagásico    Barbeiro   
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