O Ministério da Saúde de Portugal cogita a possibilidade de " importar" médicos da América Latina, principalmente clínicos-gerais, para suprir o déficit de profissionais de saúde no país. Segundo o órgão, estudos já estão sendo realizados para avaliar que países seriam alvo da iniciativa, e o Brasil é um dos candidatos apontados.
"Nós temos muitas pessoas sem médicos de família. O número de profissionais de saúde neste momento ainda não é suficiente para podermos atender a todos" , afirmou a ministra portuguesa de Saúde, Ana Jorge, sem citar números.
Um dos problemas, segundo ela, é que a maioria dos médicos formados busca a especialização, entre outros motivos, para garantir melhores salários. Outro motivo apontado é que centenas de profissionais espanhóis, que foram trabalhar em Portugal a partir de 1999, estão agora saindo do país, também em busca de melhores salários. Dados da Associação dos Profissionais de Saúde Espanhóis em Portugal apontam que mais de 400 médicos já deixaram o país.
Algumas entidades alertam que há um excedente de médicos em Portugal e que a solução não seria importar, mas redirecionar os profissionais. Dados do Ministério da Saúde dão conta de que existe 1,7 médico para cada 500 habitantes. O problema é que muitos estão concentrados em cidades grandes como o Porto e Lisboa.
A Ordem dos Médicos alega que o número de estrangeiros exercendo a medicina no país já chega a 4,2 mil, mais de 10% do total em Portugal. Só do Brasil são 600 médicos. Ainda assim a ministra portuguesa da Saúde, Ana Jorge, afirma que o reforço de especialistas nas diversas áreas da medicina é uma das prioridades do governo, acrescentando que haverá destaque para setores como medicina geral e familiar, além de obstetrícia, pediatria, ortopedia, urologia e anestesia.