Ciência e Tecnologia
publicado em 03/04/2008 às 17h16:00
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Pesquisadores do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF), do Rio de Janeiro, estão desenvolvendo um protocolo clínico no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCCF), que pesquisa a terapia celular no combate do acidente vascular encefálico (AVE).

Por causa de limitações de medicamentos e indicação de uso dos mesmos e, muitas vezes, a indisponibilidade de recursos nos hospitais, poucos são os que conseguem socorro a tempo. " A situação é crítica, pois a doença é altamente prevalente, não há muito que fazer, 30% dos indivíduos morre e quem sobrevive, na maioria das vezes, fica com seqüelas" , avalia a vice-diretora do IBCCF, Rosalia Mendez-Otero, que coordena a pesquisa.

Na tentativa de oferecer uma nova alternativa de tratamento o grupo de pesquisa de Rosalia Otero buscou respostas na terapia celular. No estágio atual, as células utilizadas são as células-tronco adultas, extraídas da medula óssea. " Dos estudos em laboratório, sabemos que elas não se transformam em neurônios. Na verdade, elas são mini-bombas farmacológicas, que produzem uma série de substâncias ' protetoras' de neurônios" , explica a pesquisadora.

Essa proteção aos neurônios sobreviventes ocorre através da liberação de uma série de fatores farmacológicos que possibilitam a sobrevivência dos neurônios restantes na área afetada. " São fatores neurotróficos, fatores importantes para a criação de novos vasos" , esclarece a especialista. " Por isso fazemos o trabalho na fase aguda e semi-aguda. Há um grupo de neurônios que morre imediatamente e há vários que ficam no local durante uma ou duas semanas, ' indecisos' se conseguem sobreviver ou não" , completa. O que ocorre a seguir é resultado da manutenção dessas células, que, preservadas, retomam as atividades no cérebro e diminuem os efeitos do AVE.

A pesquisadora argumenta que nem sempre a atuação de células adultas pode surtir algum efeito. Em certos casos, apenas a capacidade de diferenciação das embrionárias pode regenerar um tecido. " O máximo que podemos esperar das adultas é esse efeito de mini-bombas. Há doenças em que não temos mais o que salvar" , comenta Rosalia.

Atualmente o protocolo se encontra na primeira fase - a fase de segurança. Nesse período, como sugere o nome, o objetivo é apenas demonstrar que a terapia é segura. Os estudos, no momento, estão analisando pacientes na fase aguda e semi-aguda (três a cinco meses após o AVE).

Também pelas exigências da fase de segurança, o protocolo foi aprovado com dez pacientes com AVE isquêmico (mais brando e mais prevalente que o hemorrágico). Num próximo momento, é possível que a pesquisa avalie outros tipos da doença e, possivelmente, numa fase de eficácia, estender para pacientes com mais tempo de lesão. " Mas tudo isso é um caminhar, em que um passo depende do anterior. Ainda não temos bases científicas nem dados suficientes para convencer um comitê de ética a autorizar uma pesquisa em pacientes crônicos" , conclui Rosalia Otero.

Pesquisas

A Lei de Biossegurança, que sofre Ação Direta de Inconstitucionalidade, atualmente permite a pesquisa com células de embriões congelados em laboratórios de fertilização in vitro por três anos ou mais. Para a professora, proibir a pesquisa com células embrionárias é um erro.

"É muito importante continuar as pesquisas com células embrionárias, não só porque pode vir a se tornar uma ferramenta terapêutica, mas também porque estudar uma célula que tem todo esse potencial de diferenciação pode nos levar a entender uma série de fenômenos que ocorrem e que não temos como estudar , opina. Entre os benefícios, entender o câncer, que, conforme ela explica, começa em uma célula que retornou a sua vocação embrionária e começou a se dividir indefinidamente.

Fonte: UFRJ
   Palavras-chave:   AVE    IBCCF    Pesquisadores    Terapia celular    HUCCF    Medicamentos   
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