Saúde Pública
publicado em 25/12/2009 às 11h00:00
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Foto: Antoninho Perri/Unicamp
A médica infectologista Adriane Delicio
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A médica infectologista Adriane Delicio

A baixa adesão ao tratamento por parte de gestantes soropositivas durante o pré-natal ainda consiste em grande obstáculo a ser vencido pelos profissionais de saúde para se evitar a transmissão vertical do vírus HIV. Em estudo realizado no Hospital da Mulher-Caism da Unicamp, dos 15 casos de infecção observados no período de 2000 a 2009, em 13 foram apontados fatores relacionados à adesão inadequada ao tratamento. " Se o diagnóstico da infecção pelo HIV for precoce durante a gestação e forem tomadas as medidas recomendadas pelo Ministério da Saúde, pode-se reduzir, e muito, as taxas de transmissão" , destaca a médica infectologista Adriane Delicio.

Seu estudo, desenvolvido na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e orientado pela professora Helaine Maria Besteti Pires Milanez, envolveu 452 gestações de mulheres soropositivas atendidas no Caism. Os números mostraram uma proporção de 3,6% de transmissão vertical, porcentagem considerada relativamente alta, se comparada às taxas menores de 2% indicadas na literatura internacional.

Por outro lado, se a base comparativa forem os índices observados no início da década de 1990, as conclusões são bem diferentes. " Se olharmos para o passado, quando as taxas eram altíssimas, na proporção de 30% a 35%, percebemos que a redução foi bastante drástica. Em 1997, quando se introduziu o esquema ACTG 076 completo, que consiste no uso de AZT durante a gestação, no parto e no recém-nascido, os índices caíram para 2,2%" , destaca.

A questão, segundo a infectologista, é que os cuidados devem ser seguidos à risca, o que frequentemente não ocorre. Durante a gravidez, é necessário que as mulheres façam uso de terapia antirretroviral potente, uma combinação de três drogas, iniciada entre 14 e 28 semanas de gestação. Ainda como recomendado desde o protocolo ACTG 076 de 1994, a gestante deve receber AZT endovenoso três horas antes da cesárea ou a partir do início do trabalho de parto. " Ainda existem mães que abandonam o tratamento e não tomam o remédio de forma regrada, e isto faz com que o risco aumente" , explica a médica, que testemunha muitos exemplos na prática em suas atividades no Centro de Referência DST/Aids de Campinas.

A cesárea, nestes casos, esclarece Adriane, é o procedimento mais adequado a ser adotado. Isto porque as contrações uterinas e o contato com secreção e sangue maternos durante o parto elevam o risco de contaminação. O período representa o de maior risco para transmissão vertical do HIV, atingindo taxa de até 80%. No entanto, no Brasil este procedimento ainda não é consensual entre os médicos. Em geral, é realizado essencialmente quando a carga viral no sangue encontra-se acima de mil cópias/ml.

Outra recomendação fundamental é a suspensão da amamentação, pois este período pode representar risco de até 40% para a transmissão. " A criança deve ser alimentada com a fórmula infantil oferecida gratuitamente pelo Governo Federal para as mães portadoras de HIV. Mas, ainda existem mulheres que amamentam, desprezando o risco que o bebê está correndo" , explica Adriane, lembrando a importância dos cuidados mesmo após o nascimento em que a criança deve receber xarope de AZT durante 42 dias de vida e ser encaminhada para o Ambulatório de Pediatria para prosseguir no tratamento.

Se apenas uma das medidas não for incorporada desde o pré-natal, os riscos aumentam sensivelmente. Por isso, a importância de seguir cada uma das etapas de forma consciente. Além disso, ao se avaliar a maioria dos casos de transmissão, demonstrou-se que as mães apresentavam CD4 - célula de defesa do organismo que consiste no principal alvo de destruição pelo vírus HIV - inferior a 350 células/mm3. A doença avançada materna e o CD4 baixo são fatores associados à maior transmissão já há muito conhecidos na literatura, assim com as infecções do tipo da toxoplasmose, hepatite C, entre outras. " Em casos avaliados, as pacientes tiveram rompimento da bolsa antes do período determinado e trabalho de parto prolongado, fatores que também levam a maior risco de transmissão" , esclarece.

Adriane lembra que a maioria dos bebês com Aids dificilmente sobrevive aos primeiros dois anos de vida. É importante salientar que os indicadores epidemiológicos mostram a mudança no padrão da transmissão do HIV a partir da década de 1980, quando predominavam os denominados grupos de risco, como usuários de drogas injetáveis, homens que faziam sexo com homens e hemofílicos. " Ao longo dos anos, observou-se aumento de casos associados à categoria de exposição heterossexual e, consequentemente, uma proporção cada vez maior de mulheres infectadas. A taxa atual global é de 50% de mulheres vivendo com HIV/Aids, sendo que aproximadamente 85% delas estão em idade reprodutiva. Ou seja, há um potencial significativo de transmissão vertical" , argumenta a médica.

As gestantes soropositivas que fizeram parte do estudo possuíam, em média, 27 anos, sendo 70% da cor branca. A maioria, 77%, possuía parceiro fixo e a principal categoria de exposição foi a sexual. Apenas 22% apresentaram gestação planejada. Mais da metade, 55%, já apresentava o diagnóstico prévio à gravidez, sendo que 62% não faziam uso de medicamento específico antes de engravidar.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   HIV    Aids    Soropositivo    Hospital da Mulher    Unicamp    Adriana Delicio    Faculdade de Ciências Médicas   
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