Ciência e Tecnologia
publicado em 28/03/2019 às 17h10:00
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Foto: Antônio Scarpinetti / Unicamp
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O cientista da computação Guilherme Folego, autor da pesquisa que torna identificação do Alzheimer mais rápida Pesquisador Guilherme Folego diz que técnica transforma pixels em informação Pesquisa que facilita identificação do Alzheimer foi orientada pelo professor Anderson Rocha, do IC da Unicamp
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O cientista da computação Guilherme Folego, autor da pesquisa que torna identificação do Alzheimer mais rápida
Pesquisador Guilherme Folego diz que técnica transforma pixels em informação
Pesquisa que facilita identificação do Alzheimer foi orientada pelo professor Anderson Rocha, do IC da Unicamp

A técnica foi criada no contexto da dissertação de mestrado do cientista da computação Guilherme Adriano Folego, sob orientação do professor Anderson Rocha. O trabalho foi coorientado pela professora Marina Weiler, do National Institutes of Health (NIH), nos Estados Unidos. "Aqui, nós transformamos pixels em informações. Ou seja, processamos e analisamos imagens com o propósito de extrair dados de interesse. Nesse caso, buscamos identificar características morfológicas do cérebro que são compatíveis com as dos órgãos afetados pelo Alzheimer", explica o docente. Por causa das mortes celular e neuronal causadas pela doença, o cérebro perde massas branca e cinza e assume uma configuração diferente da do órgão saudável.

De acordo com Guilherme Folego, o objetivo da técnica é identificar biomarcadores estruturais da DA. Para isso, ele optou pelo uso da rede neural convolucional, que permite um aprendizado de máquina mais profundo. "Além disso, a rede neural possibilita que o processo seja totalmente automático e mais rápido. Enquanto o nosso método fornece o resultado em torno de 15 minutos, no modelo convencional, que depende de intervenção humana, isso pode levar de 15 a 20 horas", pontua.

A técnica desenvolvida no IC-Unicamp faz o diagnóstico em três classes diferentes: pessoa saudável, com DA e em estágio intermediário, ou seja, aquela que apresenta comprometimento cognitivo leve. "O diagnóstico desse estágio intermediário é considerado crítico pela Medicina, porque é muito difícil de ser feito. Sendo possível fazer essa identificação, também é possível dar início a um tratamento precoce que retarde ao máximo as consequências do Alzheimer", assinala o professor Anderson Rocha.

Outro dado importante é que o método não faz uso de qualquer informação além das imagens geradas pela ressonância magnética. "Nós não sabemos, por exemplo, se a imagem é de um homem ou de uma mulher, qual a idade do paciente ou se há casos de Alzheimer na família. Nosso único parâmetro é a morfologia do cérebro. O desafio é perceber as sutilezas, de modo a antecipar o diagnóstico, principalmente em relação aos pacientes em estágio intermediário da doença", esclarece Guilherme Folego.

"Processamos e analisamos imagens com o propósito de extrair dados de interesse. Nesse caso, buscamos identificar características morfológicas do cérebro que são compatíveis com as dos órgãos afetados pelo Alzheimer"

O professor Anderson Rocha faz questão de observar que a técnica não tem a pretensão de substituir o trabalho do neurologista, mas sim de ajudá-lo na formulação de um diagnóstico mais preciso da DA. "Muito pelo contrário, a presença do médico é indispensável, até porque é ele quem dará a palavra final. Nós desenvolvemos um algoritmo com a função de aprender os padrões das imagens e, assim, fornecer aos profissionais da Medicina informações mais refinadas para a tomada de decisão. Nos testes que fizemos, a técnica acertou em 75% dos casos, que é o mesmo percentual de acerto dos médicos. A soma desses índices mais o aporte das informações adicionais, como idade, gênero e histórico familiar do paciente, certamente conferirão maior acurácia ao diagnóstico", considera.

Segundo os pesquisadores, não foi requisitada proteção intelectual sobre técnica porque a ideia é justamente oferecer uma ferramenta que possa ter amplo uso e traga benefícios para a sociedade. Quanto à possibilidade de o método vir a se transformar num produto comercial, eles destacam que antes disso ocorrer será preciso realizar novos testes. "Uma possibilidade é utilizarmos imagens de ressonância magnética de pacientes do Hospital de Clínicas da Unicamp, cujo diagnóstico já é conhecido, para avaliar o desempenho da ferramenta. Além disso, vamos precisar, obviamente, de um parceiro disposto a transformar nossa técnica em produto", afirma o professor Anderson Rocha.

Atualmente, os pesquisadores estão concluindo um artigo sobre o trabalho para ser submetido a uma revista científica de alto impacto. Anderson Rocha observa que a pesquisa contou com o importante apoio da Microsoft, que cedeu a sua estrutura computacional para rodar o sistema. "Esse é um dos desafios de trabalhar com grande volume de imagens, procedimento que exige um poder computacional bastante robusto", acrescenta Guilherme Folego.

Fonte: UNICAMP
   Palavras-chave:   Alzheimer    Neurologia    Demência    Cognição    Unicamp   
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