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publicado em 23/10/2013 às 17h33:00
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Antonio Celso Nunes Nassif, doutor em Medicina pela UFPR e ex-presidente da Associação Médica Brasileira.
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Antonio Celso Nunes Nassif, doutor em Medicina pela UFPR e ex-presidente da Associação Médica Brasileira.

"Bendita crise que vai unir a classe médica." - Júlio Sanderson de Queiros

Tudo começou quando, à época, um Ministro de Estado do governo militar, ao se defrontar com forte reação dos médicos brasileiros contrária à política de saúde que desejava implantar no Brasil disse taxativamente: "vamos formar tantos médicos neste país que logo, eles virão de joelhos pedir emprego a qualquer preço". E não ficou só na promessa. Mais que dobraram o número de escolas médicas e o de vagas das já existentes.

Mais recentemente, em 1989, quando o então governador do Estado da Bahia, Nilo Coelho, frente uma greve dos médicos baianos pleiteando reajustes dignos para seus serviços, dispostos a uma demissão coletiva, ao ser interpelado por uma jornalista, se estava preocupado com o fato, respondeu sorrindo. "Não estou não. Para mim, médico é como sal: branco, barato e eu encontro em qualquer lugar."

O saudoso Joelmir Beting, em um dos seus comentários jornalísticos, analisando a crise que então comprometia o trabalho médico, finalizou a matéria dizendo: "se o problema não for solucionado definitivamente, com certeza, os médicos brasileiros serão, em breve, uma "raça em extinção"".

E nesta crise atual, os médicos estão sendo achincalhados e humilhados pelo governo da presidente Dilma e seu ministro da Saúde estabelecendo um confronto nunca visto neste país, entre governo e categoria médica. O executivo "está determinado a passar como um trator sobre as objeções das entidades médicas que tentam tomar um mínimo de cuidados com relação ao preparo de médicos de cuja competência técnica depende milhares de vidas". Ainda mais, através da mídia tenta induzir a população a acreditar que o caos da saúde pública é resultado do posicionamento da categoria médica, e que ele, governo, vai salvar o país.

Assim, sem medir as consequências dos seus ataques e objetivos, impôs a MP 621, o projeto Mais Médicos, a importação profissionais de outros países, especialmente de Cuba, e mais recentemente a intenção de passar ao ministério da Saúde as competências legais exercidas pelo CFM, pelos Conselhos Regionais dos Estados e pelas Sociedades Brasileiras de Especialidades, primeiro passo para suas extinções.

O governo esconde, vergonhosamente, as verdadeiras intenções, há muito programadas: atender compromissos assumidos com o governo cubano de fornecer recursos financeiros vultosos, em troca do aluguel de profissionais formados com essa finalidade e sem trabalho na Ilha; garantir verdadeiros cabos eleitorais para as próximas eleições obrigados a assim proceder sob pena de serem mandados de volta (os respectivos passaportes foram retidos por ocasião da chegada ao Brasil); atingir o objetivo maior que é a socialização da medicina em nosso país.

A mídia informa que o plano Mais Médicos prevê que a contratação deverá chegar a 15.450 profissionais do estrangeiro. Se o custo informado é de dez mil reais mensais por médico contratado durante três anos, isto totalizará no período a bagatela de R$5.562.000.000,00 (cinco bilhões, quinhentos e sessenta e dois milhões de reais) só de salário, fora todas as despesas de deslocamentos, moradia, alimentação, ajuda de custo, etc.. para o profissional e seus familiares. (?)

O "aluguel" desses profissionais, intermediado em documento oficial pela OPAS será um dos "negócios mais lucrativos" para a ditadura dos irmãos Castro. Do total citado anteriormente, 15% ficou para a OPAS "pelos serviços prestados", e 80% dos 10.000 reais será dado (assim foi informado) para os familiares dos mesmos em Cuba, proibidos de acompanha-los nessa, como dizem "ajuda ao Brasil", para nem pensar em desertar. Ninguém sabe se são realmente médicos (provavelmente muitos o são), mas, no total deve-se contar com a infiltração ideológica dentro do contingente médico que agora chega ao Brasil.

O que poderá fazer um médico estrangeiro numa cidade sem infraestrutura e condições de trabalho, e sem a fiscalização dos Conselhos de Ética Médica? Como irão proceder com os casos de média e alta gravidade, sem um hospital central próximo para atendê-los? É de se esperar que os eventuais erros médicos cresçam e sem a consequente abertura de processo, impedidos que os CRMs estão para tal.

Mas, o governo pode estar certo de que esta crise acabará por unir os médicos de todo o país. Enquanto espera ter oito mil cubanos trabalhando na campanha política da reeleição em 2014, vai encontrar 420 mil médicos mobilizados em fazer tudo que for possível para impedir esse desiderato. É esperar para ver!

Fonte: CFM
   Palavras-chave:   Antonio Celso Nunes Nassif    Associação Médica Brasileira    Médicos    Saúde    Crise na saúde      
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