Saúde Pública
publicado em 10/10/2013 às 13h00:00
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Pesquisa realizada em parceria entre a Faculdade de Medicina da UFMG e da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), mostrou que mais de um quarto dos indivíduos em tratamento psiquiátrico no Brasil já contraiu algum tipo de doença sexualmente transmissível (DST). Desde 2006, foram feitas entrevistas com 2.475 pacientes de 26 unidades de saúde, entre hospitais psiquiátricos e Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) de todas as regiões brasileiras. Com isso, o percentual de autorrelato de histórico de DSTs chegou a 25,8%. O estudo foi recentemente divulgado no periódico The Brazilian Journal of Infectious Diseases.

A participação dos pacientes foi voluntária a partir da assinatura do "termo de consentimento livre e esclarecido" e de avaliação preliminar cujo objetivo era aferir sua capacidade de compreender os objetivos da pesquisa e de responder ao questionário (pacientes com quadros psiquiátricos muito graves, por exemplo, foram excluídos). Além das entrevistas - cujo mecanismo foi previamente aprovado pelos Comitês de Ética em pesquisa locais, o Coep/ UFMG e a Conep -, também foram feitos exames de sorologia para marcadores de hepatite B e C, sífilis e HIV.

Os pacientes abordados estavam em acompanhamento nos serviços e os principais diagnósticos psiquiátricos foram psicoses, transtorno bipolar, ansiedade e depressão. E as DSTs mais comumente mencionadas em seus relatos foram gonococcia, sífilis, herpes e clamídia. A pesquisa retrata um recorte multicêntrico sobre a soroprevalência de HIV, sífílis e hepatite B e C em instituições públicas de atenção à saúde mental no Brasil (Projeto Pessoas), conduzido pela Faculdade de Medicina da UFMG em colaboração com o Ministério da Saúde (Programas de DST/Aids e Saúde Mental).

O trabalho também resultou em uma dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da UFMG por Maria Rita Teixeira Dutra, orientada pelo professor Mark Drew Cosland Guimarães, coordenador do Projeto Pessoas.

"Produzimos em 2008 o livro Prevenção e atenção às IST/Aids na saúde mental no Brasil: Análises, desafios e perspectivas, publicado pelo Ministério da Saúde, e artigos em periódicos com os resultados globais sobre o estudo, em que exploramos aspectos específicos, incluindo fatores associados com o HIV, Hepatite C, comportamento de risco, violência sofrida, dentre outras abordagens sobre a vulnerabilidade da população estudada. O autorrelato de DSTs é uma dessas vulnerabilidades que fazem parte de um universo mais amplo", detalha Mark Guimarães, que é doutor em Epidemiologia pela Johns Hopkins University (EUA).

Contexto de risco
O professor Mark Guimarães ressalta que a vulnerabilidade da população não se justifica necessariamente pela questão psiquiátrica, mas está ligada ao contexto de vida que a coloca em maior risco. Variáveis como ter morado na rua, o uso de álcool e/ou drogas ilícitas, a prática sexual sem proteção, o maior número de parceiros ou parceiras sexuais, ter sofrido violência e iniciação sexual precoce estiveram estatisticamente associados com o histórico de DSTs. "Ou seja, o fator determinante não é a questão psiquiátrica propriamente dita. São as variáveis de contexto e marcadores de vulnerabilidade que também são mais prevalentes na população com transtornos mentais", explica.

O professor do Departamento de Medicina Preventiva e Social acrescenta que os serviços de saúde têm papel importante no desenvolvimento de atividades de prevenção das DSTs, tais como aconselhamento, distribuição de camisinhas, oferta de teste rápido, encaminhamento para tratamento e acompanhamento. "Os serviços de saúde mental representam para muitos destes pacientes a única porta de entrada no sistema de saúde e, muitas vezes, os profissionais lotados nesses serviços não estão atentos para quadros clínicos diferentes dos psiquiátricos", adverte.

Especialmente por serem beneficiadas por financiamento público, as pesquisas têm a finalidade de interagir com os formuladores de políticas públicas, trazendo subsídios para que algo seja feito em favor da população focalizada. "O pesquisador é o ponto de partida para que o Ministério da Saúde, as redes de saúde mental e assistência aos portadores de HIV apliquem de forma efetiva os recursos públicos na atenção e prevenção das DSTs nesta população", finaliza o professor Mark Drew Guimarães.

Fonte: UFMG
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