Uma cirurgia cardíaca de 51 horas, no Hospital Evangélico de Londrina, esgotou o banco de sangue da cidade paranaense. O procedimento foi realizado pelo cirurgião Francisco Gregori Júnior, o mesmo que há 11 anos surpreendeu o meio médico ao estancar a hemorragia no coração de uma paciente com cola Superbonder.
O gerente de vendas Onivaldo Cassiano, 49 anos, tinha um aneurisma na aorta. Durante a cirurgia, a equipe de 8 profissionais planejava trocar a aorta, a válvula cardíaca e fazer uma ponte de safena. "Com certeza esperávamos sangramento acima do normal, mas não como aconteceu", disse Gregori. Segundo ele, a falta de uma enzima no paciente não permitia a coagulação de forma correta, o que obrigou a equipe a gastar quase 400 bolsas de sangue em transfusões, esgotando o estoque de Londrina. Isto equivale a trocar 20 vezes todo o sangue do corpo. Gregori chegou a cochilar no chão para aliviar o cansaço.
Depois de 36 horas sem sucesso e com a equipe exausta, Gregori apelou para uma técnica que chamou de marmorização. "Se eu cobrir todo o sistema cardíaco com cola, por onde vai sangrar?", pensou. Desta vez ele usou cola biológica Por mais de 15 horas, a equipe se revezou segurando o tórax aberto de Cassiano, enquanto compressas tentavam conter a hemorragia, até que o coração voltou a bater.
Para Gregori o caso é ainda mais surpreendente porque, segundo ele, pacientes com mais de 10 horas de cirurgia têm apenas 2% de chance de sobreviver.
Cassiano ficou dez dias na UTI para se recuperar da intervenção. Para a cirurgia, o vendedor contou com a doação de sangue de mais de 30 amigos. "Recebi muita ajuda de todos e, no fim, um milagre pelas mãos dos médicos", comemorou .