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publicado em 21/08/2013 às 11h00:00
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Pesquisadores da Oregon Health and Sciences University, nos EUA, demonstraram que a terapia genética é capaz de reverter os sintomas da Síndrome de Rett, o mais incapacitante dos transtornos do espectro do autismo.

O estudo atual é o primeiro a mostrar a reversão dos sintomas em ratos totalmente sintomáticos, utilizando técnicas de terapia genética que têm potencial para aplicação clínica.

A síndrome de Rett é uma doença neurológica ligada ao cromossomo X que afeta principalmente as meninas. Na maioria dos casos os sintomas começam a se manifestar entre 6 e 18 meses de idade.

A causa da terrível dos sintomas da Síndrome de Rett está em mutações de um gene ligado ao cromossomo X chamado MECP2 (metil proteína CpG-binding). MECP2 é um gene mestre que regula a atividade de muitos outros genes, ligando-os ou desligado-os.

O conceito por trás da terapia genética é simples, entregar um gene saudável para compensar aquele que está mutado.

"A terapia genética é bem adequada para esta doença. Devido a MECP2 se ligar ao DNA em todo o genoma, não existe um único gene que atualmente podemos apontar como destino de uma droga. Portanto, a melhor chance de ter um grande impacto sobre a desordem é corrigir o defeito subjacente em tantas células por todo o corpo quanto possível. A terapia genética nos permite fazer isso", afirma o pesquisador Gail Mandel.

Genes saudáveis podem ser entregues em células a bordo de um vírus, que age como um 'Cavalo de Troia'. Existem muitos tipos diferentes desses meios de transporte. Mandel utilizou o vírus adenoassociado serótipo 9 (AAV9), que tem a capacidade de atravessar a barreira sangue-cérebro. Isto permite que o vírus e sua carga sejam administrados por via intravenosa, que é menos invasivo.

Como o vírus possui um espaço de carga limitado, não é possível transportar o gene MECP2 inteiro. O coautor Brian Kaspar empacotou apenas os segmentos mais críticos do gene. Depois de ser injetado em ratos com Rett, o vírus fez o seu caminho para as células do corpo e do cérebro, distribuindo o gene modificado, que, em seguida, começou a produzir a proteína MeCP2.

Tal como em fêmeas humanas com síndrome de Rett, apenas cerca de 50% das células dos ratos possuem uma cópia saudável de MECP2. Após o tratamento com terapia genética, 65% das células passaram a ter um gene MECP2 funcional.

Os camundongos tratados apresentaram melhorias profundas na função motora, tremores e convulsões. Em nível celular, o tamanho do corpo inferior de neurônios vistos em células mutantes foi restaurado ao normal. Experimentos bioquímicos mostraram que o gene tinha encontrado o seu caminho para o núcleo das células e estava funcionando como esperado, ligado ao DNA.

Um sintoma de Rett que não foi melhorado foi respiração anormal. Os investigadores supõem que corrigir isto pode exigir destinar um maior número de células do que os 15% que tinham sido obtidos no tronco cerebral.

"Nós aprendemos que não temos de corrigir todas as células, a fim de reverter os sintomas. Entre 50% e 65% das células com um gene funcional resultou em melhorias significativas", afirma o coautor Saurabh Garg.

Mandel e seus colegas advertem que os passos fundamentais permanecem antes de ensaios clínicos poderem começar. "Nosso estudo é um primeiro passo importante para destacar o potencial para tratar os sintomas neurológicos de Rett. Estamos trabalhando para melhorar a embalagem de MeCP2 no vírus para ver se podemos atingir um percentual maior de células e, portanto, melhorar os sintomas ainda mais", afirmam os pesquisadores.

De acordo com os pesquisadores, este estudo usou truques genéticos que não poderiam ser diretamente aplicáveis a seres humanos, mas o vetor AAV9 utilizado aqui pode, em princípio, proporcionar um gene terapêutico.

Fonte: Isaude.net
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