Saúde Pública
publicado em 13/08/2013 às 17h10:00
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Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Diagnóstico só foi detectado, em 90% dos casos, nos Serviços Especializados
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Diagnóstico só foi detectado, em 90% dos casos, nos Serviços Especializados

Em Ribeirão Preto, uma dos maiores centros polarizadores de serviços de saúde de alta complexidade do país, um paciente pode esperar até 30 dias para obter o diagnóstico de tuberculose no sistema de saúde da cidade. O número é resultado de pesquisa realizada pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP. Entre 100 entrevistados, 62% não tiveram a tuberculose como hipótese de diagnóstico no primeiro serviço de saúde visitado, ou então, não foram informados sobre o que poderia ser a queixa apresentada.

Segundo a autora do estudo, a enfermeira Maria Eugênia Firmino Brunello, em 58% dos casos, foi solicitado algum tipo de exame no primeiro serviço, embora esse fator não tenha sido determinante para que o diagnóstico fosse esclarecido já na primeira visita. "Os pacientes que procuraram a UAB [Unidades Básicas de Saúde] e o PA [Pronto-Atendimentos] tiveram que passar por três ou mais serviços de saúde para obter o diagnóstico."

O diagnóstico só foi detectado, em 90% dos casos, nos Serviços Especializados. "O tempo de diagnóstico foi semelhante dentre os que procuraram primeiro as UABs e os PAs, sendo respectivamente de 33,5 e 33 dias" afirma Maria Eugênia. A pesquisadora resgatou, por meio de entrevista, o percurso de 100 pacientes desde o momento em que se sentiu doente até a procura pelo primeiro serviço de saúde e o diagnóstico da doença.

A enfermeira conta que dos 100 pacientes entrevistados, 63% tiveram ao longo do percurso nos serviços de saúde a solicitação de baciloscopia de escarro e 59% solicitação de Raio-X. "A solicitação desses exames específicos para o esclarecimento do caso poderia ter sido maior, mas o fato de o paciente, por vezes, ser inespecífico no relato dos sintomas aos profissionais também pode retardar o tempo de diagnóstico."

A enfermeira obteve registros relativos aos dados clínicos dos doentes, e informações sobre os serviços de saúde e profissionais que atenderam o paciente, além dos exames solicitados por intermédio dos sistemas de informação TB-WEB, sistema de registros para tuberculose exclusivo do Estado de São Paulo, e Hygia-WEB, sistema de prontuários eletrônicos do município de Ribeirão Preto.

Considerada pelo Ministério da Saúde uma das linhas prioritárias na política nacional de Atenção Básica brasileira, a tuberculose leva a óbito cerca de seis mil pessoas ao ano no País. Segundo o professor Antonio Ruffino Netto, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, tosse com expectoração; febre; falta de apetite; fraqueza; perda de peso; escarro com raias de sangue; e dor no peito são sintomas da doença. "Se tratada adequadamente, quase todos os pacientes evoluem para a cura. Caso haja abandono no tratamento, a doença poderá evoluir para uma tuberculose crônica, com dificuldade maior para cura. Se não houver tratamento, cerca de 50% evoluem para o óbito em um período de cinco anos", esclarece Ruffino Netto.

Indicadores de desempenho

A pesquisadora elaborou indicadores relacionados ao desempenho dos serviços de saúde para o diagnóstico da tuberculose, considerando as categorias: ofertas de ações; fluxo de atendimento desde o primeiro serviço de saúde até o diagnóstico; resolubilidade dos casos. Os resultados mostraram que 69% dos doentes de tuberculose buscaram o Pronto-atendimento (PA) como primeiro serviço de saúde, seguido pela Unidade de Atenção Básica (UAB) e os Serviços Especializados (SE).

Seria importante um ordenamento do sistema de saúde local, com adequado apoio da rede para a realização de exames laboratoriais, serviços de apoio ao diagnóstico, e equipe capacitada para determinar o menor tempo possível para o diagnóstico da doença. "É necessário implementação da comunicação e integração entre os serviços de saúde para aprimorar o atendimento dos usuários e evitar a repetição desnecessária de procedimentos", destaca.

A enfermeira comenta que, devido à alta proporção de usuários que utilizam os PAs, é de extrema importância que os profissionais que atuam nesses serviços sejam capacitados para reconhecer rapidamente o paciente com suspeita de tuberculose, o que poderia trazer um impacto positivo na detecção de casos da doença.

A pesquisa foi realizada entre junho e dezembro de 2009. Apesar disso, a situação em 2013 continua a mesma: Maria Eugênia explica que ainda há dificuldades da Atenção Básica no município em diagnosticar a doença, e a intensa busca e preferência dos pacientes pelas Unidades de Pronto-Atendimento. "A coordenação do Programa de Controle da Tuberculose em Ribeirão faz capacitações constantes com agentes comunitários de saúde e equipe de enfermagem, tentando conscientizar e incentivar este nível assistencial a buscar por sintomáticos respiratórios na comunidade", diz.

A tese Percurso do usuário no sistema de saúde: desempenho dos serviços de saúde para o diagnóstico da tuberculose em Ribeirão Preto (2009) foi orientada pela professora Tereza Cristina Scatena Villa, da EERP, e defendida em fevereiro de 2013.

Com informações da Agência USP

Fonte: Isaude.net
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