Saúde Pública
publicado em 01/07/2013 às 14h41:00
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Foto: James Gathany/UC Davis
Liberação de machos do mosquito Aedes aegypti geneticamente modificados é uma técnica eficiente a doença
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Liberação de machos do mosquito Aedes aegypti geneticamente modificados é uma técnica eficiente a doença

Uma nova etapa Projeto Aedes Transgênico (PAT), que libera machos geneticamente modificados para combater o inseto selvagem, transmissor da dengue, foi iniciada na cidade baiana de Jacobina. Serão liberados cerca de 4 milhões de mosquitos por semana, durante os próximos três anos, para o combate à dengue. Resultado de convênio entre o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP e a biofábrica Moscamed Brasil, o PAT vai liberar, nesta nova etapa, mais de 430 milhões de mosquitos.

"Esse é um projeto pioneiro no mundo. Em nenhum outro lugar foi feita uma liberação de mosquitos transgênicos desse tamanho" , afima a pesquisadora do ICB, Margareth de Lara Capurro, coordenadora do PAT. A linhagem de insetos utilizada foi desenvolvida por cientistas britânicos da empresa Oxitec, parceira do projeto, e é prouzida na Unidade de Produção de Aedes Transgênico da Moscamed, em Juazeiro, hoje com uma produção semanal de aproximadamente 1 milhão de machos.

A liberação de machos do mosquito Aedes aegypti geneticamente modificados é uma técnica eficiente a doença. Entre outubro 2011 e setembro 2012, a primeira edição do PAT soltou cerca de 17 milhões de mosquitos transgênicos em dois bairros do município de Juazeiro (Bahia) levando a população selvagem do inseto à supressão. " A ideia é que, se conseguimos diminuir a população do mosquito, consequentemente se conseguirá diminuir a transmissão da doença" , conta a pesquisadora Margareth.

Devido a modificações em genes específicos dos mosquitos, os ovos postos no meio ambiente, gerados do cruzamento entre os transgênicos e fêmeas selvagens, herdam um gene letal que os impede de se desenvolver até a fase adulta. Segundo o biólogo Danilo de Oliveira Carvalho, que também participa do projeto o gene responsável pela mortalidade das larvas e pupas tem seu funcionamento condicionado à presença ou ausência de um tipo de antibiótico chamado tetraciclina.

Na ausência da substância o gene é ativado e produz uma proteína que modifica as taxas de síntese proteica (a transcrição seguida da tradução) das células da larva, acumulando-se e levando-a à morte. Por sua vez, quando há a tetraciclina esse processo é bloqueado. " A larva deixa de acumular o ativador e se desenvolve" , diz Carvalho. É o que acontece quando essa linhagem de mosquitos é produzida de forma controlada em laboratório.

Por indicação da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, Jacobina foi escolhida para a segunda fase do PAT. Com cerca de 49 mil habitantes na área urbana, a cidade teve um grande surto de dengue em 2011 com 2 mortes e mais de 1.600 casos identificados da doença. A primeira liberação de mosquitos transgênicos no município de Jacobina aconteceu no dia 18 de junho deste ano. Segundo Margareth, as liberações serão divididas em áreas. Diferentemente da experiência anterior em Juazeiro, as etapas iniciais acontecerão em áreas com menores populações selvagens do Aedes aegypti, criando-se uma espécie de barreira, para depois expandir para as demais áreas. " Como desta vez a liberação acontecerá na cidade toda, também tentaremos observar como será a interferência na transmissão da dengue" , prevê a professora.

A primeira etapa

A primeira etapa do PAT, em cinco comunidades de Juazeiro. A escolha foi feita em função do tamanho das populações selvagens do Aedes aegypti nesses locais, além de questões geográficas, como certo isolamento, para que não houvesse interferências como migrações dos insetos, o que poderia prejudicar as medições dos resultados das liberações.

Após um período de esclarecimento da população local sobre a ação e de testes iniciais para verificar a dispersão e capacidade de reprodução dos transgênicos, passaram a ser liberados cerca de 500 mil machos por semana. Antes da liberação, a média do índice populacional do mosquito selvagem era de 40%, medido a partir de armadilhas, chamadas ovitrampas, que atraem o inseto. Após seis meses de liberação, a taxa caiu para 6%. No entanto, Danilo conta que após o término das liberações a população selvagem voltou a subir, embora o novo índice ainda não tenha sido calculado. " Isso indica que temos que manter liberações em níveis basais para manter a população baixa" , diz.

Com informações da Agência USP

Fonte: Isaude.net
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