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publicado em 17/06/2013 às 01h59:00
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Dois anos após a publicação do manifesto sobre disseminação de superbactérias no mundo, na revista médica The Lancet, o cenário não é animador, apesar de alguns avanços. O manifesto feito por profissionais e institutos de medicina, em 2011, chamava a atenção para o uso indiscriminado de antibióticos, o que pode levar a um quadro em que os medicamentos existentes tornem-se obsoletos.

"Nós estamos perdendo essas drogas", declarou a médica Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e do Comitê de Imunização do Ministério da Saúde.

Richtmann destaca que basta pouco tempo para que se tenham relatos de resistência mesmo a antibióticos mais novos. "Eles [mecanismos de resistência] estão cada vez mais rápidos. Falo de questão de seis meses a um ano", informou. Ela explica que, com isso, os investimentos industriais estão mais voltados para doenças crônicas, como hipertensão. "Mesmo em relação a doenças infecciosas, desenvolver drogas contra hepatite ou fungos parece ser mais interessante, porque não tem o mesmo mecanismo de resistência da bactéria", avaliou.

O último caso registrado no país ocorreu em maio deste ano, quando foi identificada a presença do gene tipo Carbapenemase New Delhi metallobetalactamase (NDM) em cinco pacientes do Hospital Conceição, em Porto Alegre. Em 2010, foram pelo menos 35 casos de contaminação pela superbactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) no Recife. A médica infectologista destaca, no entanto, que para a grande maioria das bactérias existentes no Brasil os antibióticos existentes são eficientes.

Essa característica faz com que algumas infecções comuns, como a urinária, exijam drogas mais potentes das que eram utilizadas anteriormente. "É uma infecção banal, principalmente entre mulheres, mas a gente está vendo que bactérias que eram sensíveis a antibióticos básicos já não dá mais para usar, tem um grau de ineficiência avançado", explicou Richtmann. Outro exemplo destacado pela médica são as infecções provocadas pelo pneumococo, como meningite e pneumonia. "A gente sempre tratou com penicilina e agora estamos vendo que têm tipos menos sensíveis".

Richtmann considerou que o primeiro passo para conter o avanço das superbactérias começa por ações simples. "Todos os hospitais tem que ter hoje comissão de controle de infecção hospitalar. Antes de pensar em incentivar a indústria, novos fármacos, porque isso tem um custo elevado, é mais factível começar com o que nós temos", avaliou.

Se por um lado aumentou o controle nos hospitais e o nível de exigência para compra de antibióticos, por outro a indústria farmacêutica mundial reduziu a pesquisa de novos medicamentos que seriam capazes de conter essas bactérias multirresistentes. "[Produzir antibióticos] não tem sido um bom negócio. Gasta-se, por exemplo, R$ 1 bilhão de dólares para pesquisar 10 mil novos compostos e chegar a um. Quando ele chega no mercado, a bactéria ficou resistente", explicou o médico Marcos Antonio Cyrillo, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia. Em 2008, por exemplo, nenhum novo antibiótico chegou ao mercado, informou o infectologista.

A resistência das bactérias ocorre porque elas, diferentemente de outras doenças, são microorganismos vivos capazes de transmitir o gene de resistência. "Se temos dez bactérias no corpo, por exemplo, e nove são sensíveis ao antibiótico e uma é resistente, você toma o remédio e uma ficou. De 20 em 20 minutos ela se multiplica e vai transmitindo gene de resistência às filhas", explicou Cyrillo. Por isso é fundamental que os pacientes fazem uso do remédio no período e na dosagem prescrita pelo médico.

Fonte: AGÊNCIA BRASIL
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