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publicado em 13/06/2013 às 17h30:00
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Imagem: Shubhangi Kene/Foto Stock
Mudanças cerebrais 'negativas' marcam a transição para a dependência de drogas mais persistente
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Mudanças cerebrais 'negativas' marcam a transição para a dependência de drogas mais persistente

Cientistas do Scripps Research Institute, nos EUA, encontraram evidências de que uma região do cérebro relacionada com a emoção chamada amígdala central, que promove sentimentos de mal-estar e infelicidade, desempenha um papel importante na manutenção da dependência de cocaína.

Em experimentos com ratos, os pesquisadores encontraram sinais de que alterações neste sistema cerebral induzidas pela cocaína contribuem para sintomas como ansiedade e outros ligados à abstinência da droga, que normalmente levam um viciado a continuar usando o tóxico.

Quando os pesquisadores bloquearam receptores cerebrais específicos chamados receptores opioides kappa nesta região do cérebro, sinais de dependência dos ratos diminuíram.

"Estes receptores parecem ser um bom alvo para terapia", afirma a principal pesquisadora Marisa Roberto.

O estudo foi descrito na revista Biological Psychiatry.

Segundo os pesquisadores, além de suas implicações clínicas, a descoberta representa uma alternativa para a busca do prazer, o circuito motivacional "positivo" que é tradicionalmente enfatizado no vício.

Enquanto mudanças nessas redes cerebrais de busca pelo prazer podem dominar o período de início do uso de drogas, os cientistas têm encontrado evidências de mudanças no circuito motivacional "negativo", mudanças que fazem com que uma pessoa use a droga não por seus efeitos eufóricos, mas por seu alívio (temporário) da ansiedade causada pela abstinência.

A equipe acredita que estas mudanças cerebrais ' negativas' marcam a transição para a dependência de drogas mais persistente.

Em uma série de estudos recentes, os pesquisadores têm destacado o papel de um desses atores ' negativos' : o receptor para o hormônio do estresse CRF. Encontrado em abundância na amígdala central, os receptores de CRF se tornam persistentemente hiperativos conforme o consumo de drogas aumenta, e a hiperatividade ajuda a explicar os sintomas negativos da retirada da droga.

A amígdala central também contém uma alta concentração de uma classe de neurotransmissores chamados dinorfinas, que se ligam a receptores opioides kappa. Muito parecido com o sistema CRF, o sistema dinorfina / opioide kappa mediam sentimentos negativos e disfóricos.

"Nossa hipótese era de que o sistema receptor dynorphin / opioide kappa na amígdala central também se torna hiperativo com o uso de cocaína excessivo", explica a autora do artigo Marsida Kallupi.

Essa hiperatividade seria esperada a surgir conforme o cérebro se esforça para manter a "homeostase recompensa", um equilíbrio entre prazer e desprazer. A dinorfina possivelmente atua para equilibrar os efeitos eufóricos produzidos por outros sistemas opioides durante o uso recreativo de drogas, segundo os pesquisadores.

Redução dos sinais de vício

Quando os pesquisadores deram a ratos acesso à cocaína, os ratos aumentaram sua ingestão diária como muitos usuários humanos fariam. Medidas eletrofisiológicas sensíveis revelaram sinais de hiperatividade funcional persistente do sistema GABAérgico na amígdala central.

Utilizando compostos que ativam ou bloqueiam receptores opioides kappa, os cientistas encontraram sinais de que esses receptores, como os receptores de CRF, de fato, ajudam a impulsionar a amígdala central, em hiperatividade durante o uso excessivo de cocaína.

Quando os pesquisadores bloquearam os receptores opioides kappa na amígdala central, a hiperatividade foi bastante reduzida.

A equipe espera que um tratamento semelhante possa ajudar viciados humanos em cocaína a se sentirem menos obrigados a continuar usando a droga. Bloqueadores dos receptores opioides kappa já estão sendo desenvolvidos para o tratamento de depressão e ansiedade.

Fonte: Isaude.net
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