Profissão Saúde
publicado em 27/05/2013 às 11h42:00
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Representantes das principais entidades ligadas à classe médica e odontológica de São Paulo acompanharam a passeata de 1,4 mil acadêmicos de medicina, os " cara-pintadas da saúde" , pelas ruas do centro da capital. Com cartazes, faixas, apitos e baterias, estudantes e profissionais exigiram uma posição definitiva do governo federal sobre a importação de médicos sem a revalidação do diploma (o Revalida).

"Queremos que o governo se posicione claramente sobre a Saúde e crie uma política de urbanização no interior. E que isso seja feito com a contribuição das entidades médicas que trabalham pela Saúde pública no país", afirmou a representante das 23 escolas de Medicina do Estado de São Paulo, Marjorie Arruda, presidente do Centro Acadêmico da Faculdade de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Antes da manifestação, os representantes das entidades médicas divulgaram à imprensa uma Carta Aberta aos Brasileiros, assinada por mais de 100 instituições da sociedade civil, posicionando-se contra a proposta do governo e alertando para os riscos à saúde da população.

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Renato Azevedo, reafirmou a posição de que os Conselhos de Medicina não são contra a vinda de médicos ao Brasil, mas consideram que o Revalida é um exame bem elaborado pelo Ministério da Educação e do qual apenas 10% dos profissionais conseguem aprovação. Por isso, os CRMs defendem que não pode haver "flexibilização" nesse processo, o que proporcionaria a entrada de mais médicos no país sem capacidade técnica para atender à população.

"Na cidade de São Paulo, há quatro médicos por 1 mil habitantes, média acima dos padrões europeus, o que comprova que o problema da Saúde não está na falta de médicos. O que precisamos é de políticas públicas de Saúde com financiamento adequado ao setor, além de condições de trabalho e Carreira de Estado para o médico", afirmou. Ele destacou que, sem elas, "o que há são medidas demagógicas, paliativas e eleitoreiras, que podem agravar ainda mais o problema da Saúde no país".

Além da necessidade do conhecimento ético-profissional, José Erivalter de Oliveira, diretor da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), lembrou que muitos desses médicos formados em outros países desconhecem a língua portuguesa, fator indispensável para exercer a Medicina. "Até porque para nós, médicos, firmarmos o diagnóstico, precisamos interagir com o paciente", afirmou. Ele informou, ainda, que entidades médicas de nove países, reunidas no VI Fórum Íbero-Americano de Entidades Médicas, aprovaram moção de apoio condenando a iniciativa do governo brasileiro. Elas advertem que "a flexibilização de critérios de acesso de portadores de diplomas médicos obtidos em outros países coloca a qualidade da assistência à população em situação de risco e não garante a ampliação definitiva de acesso ao atendimento nas áreas de difícil provimento".

Financiamento da Saúde

Florisval Meinão, presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), lembrou que embora o governo Dilma seja bem avaliado, a população tem a clara percepção de que a área da Saúde deixa a desejar. "E o que temos visto é que a culpa recai sobre os profissionais médicos, o que não é verdade", comentou. Em resposta a isso, o Conselho Federal de Medicina (CFM) encaminhou ao governo federal, no dia 24 de maio, um pacote de ações para estimular a presença e a fixação dos médicos nas áreas distantes e de difícil provimento, supostas regiões em que os profissionais estrangeiros viriam atuar.

Dados do Tribunal de Contas da União, fornecidos à Comissão Especial de Financiamento da Saúde Pública da Câmara dos Deputados dão conta de que o crédito disponível para o orçamento para a Saúde em 2012 era de R$ 93 bilhões, dos quais foram empenhados R$ 84 bilhões, ou seja, houve perda de R$ 9 bilhões. E que, além disso, do total empenhado, R$ 8,5 bilhões não foram destinados à Saúde. "Perdemos um total de R$ 17,5 bilhões e, ao mesmo tempo, o governo monta uma 'cortina de fumaça' com a questão de que precisamos importar médicos para resolver o problema da Saúde no país quando, na verdade, há uma situação de subfinanciamento", disse o médico e deputado federal Eleuses Paiva (PSD/SP), membro da Comissão.

Com informações do Cremesp e da Fenam

Fonte: Isaude.net
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