Ciência e Tecnologia
publicado em 15/05/2013 às 11h30:00
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Foto: César A. González/UC Berkeley
Imagem: César A. González/UC Berkeley
Dispositivo utiliza bobinas para transmitir e receber sinais electromagnéticos Algoritmo de computador analisa os dados para determinar se existe edema cerebral ou hemorragia
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Dispositivo utiliza bobinas para transmitir e receber sinais electromagnéticos
Algoritmo de computador analisa os dados para determinar se existe edema cerebral ou hemorragia

Nova tecnologia desenvolvida na Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos EUA, está usando sinais sem fios para fornecer diagnósticos em tempo real e não invasivos de edema ou sangramento cerebral.

O dispositivo analisa os dados a partir de ondas eletromagnéticas de baixa energia, que são semelhantes às utilizadas para transmitir sinais de rádio e celulares. A tecnologia poderia se tornar uma ferramenta de baixo custo para o diagnóstico médico e para lesões de triagem em áreas onde o acesso à assistência médica, imagiologia médica, especialmente, é limitado.

O dispositivo foi descrito na revista PLoS One.

Os pesquisadores testaram o protótipo em um estudo piloto em pequena escala de adultos saudáveis e pacientes com traumatismo cerebral internados em um hospital militar.

Os resultados obtidos dos indivíduos saudáveis foram claramente distinguíveis dos pacientes com dano cerebral, e os dados para o sangramento foram distintos dos dados de edema.

"Há grandes populações do mundo que não têm acesso adequado à imagiologia médica avançada, ou porque é muito caro ou porque as instalações estão longe. Esta tecnologia é pouco dispendiosa e pode ser utilizada em partes economicamente desfavorecidas do mundo e nas zonas rurais, que carecem da infraestrutura industrial, o que pode reduzir substancialmente os custos e alterar o paradigma do diagnóstico médico. Também mostramos que a tecnologia possa ser combinada com os telefones celulares para diagnóstico remoto", afirma o pesquisador César A. González.

Segundo os pesquisadores, os sintomas de lesões graves na cabeça e danos cerebrais nem sempre são óbvios, e para o tratamento, o tempo é essencial. Por exemplo, a administração de medicamentos anticoagulantes para certos tipos de AVC deve ser feita no prazo de três horas após o início dos sintomas. "Se as pessoas tivessem acesso a um dispositivo de preço acessível que pode indicar se há danos no cérebro ou não, elas poderiam, então, tomar uma decisão informada sobre como procurar auxílio médico imediato, o que é especialmente importante para ferimentos na cabeça", observa o líder da pesquisa Boris Rubinsky.

Como funciona

Os pesquisadores aproveitaram as mudanças características na composição e estrutura do tecido em lesões cerebrais.

Para os edemas cerebrais, inchaço resultante de um aumento de fluido no tecido. Para hematomas cerebrais, hemorragia interna provoca acúmulo de sangue em determinadas regiões do cérebro.

Como o fluido conduz eletricidade de forma diferente do que o tecido cerebral, é possível medir mudanças nas propriedades eletromagnéticas.

Algoritmos de computador interpretam as alterações para determinar a probabilidade de lesões.

O equipamento foi testado em 46 adultos saudáveis, com idades entre 18 e 48 anos e oito pacientes com dano cerebral, com idades entre 27 e 70 anos.

Os engenheiros criaram duas espirais sobre um dispositivo semelhante a um capacete, que foi colocado sobre a cabeça dos participantes do estudo. Uma espiral atuou como emissora de rádio e a outra serviu como receptora.

Os sinais eletromagnéticos foram transmitidos através do cérebro a partir do emissor para o receptor.

"Nós ajustamos as bobinas de modo que se o cérebro funciona perfeitamente, temos um sinal limpo. Sempre que há interferências no funcionamento do cérebro, detectamos isso como alterações no sinal recebido. Podemos dizer a partir das mudanças, ou 'ruídos', que lesão cerebral é", explica Rubinsky.

Segundo Rubinsky, as ondas são extremamente fracas e são comparáveis a ficar em um quarto com o rádio ou a televisão ligada.

Diagnósticos do dispositivo para os pacientes com trauma cerebral no estudo acompanharam os resultados obtidos a partir de tomografias computadorizadas.

Fonte: Isaude.net
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