Saúde Pública
publicado em 08/05/2013 às 23h44:00
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Foto: Erasmo Salomão - ASCOM/MS
Coletiva de imprensa no Hospital Conceição de Porto Alegre (RS) com a presença dos ministros da Saúde, Alexandre Padilha, e da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage.
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Coletiva de imprensa no Hospital Conceição de Porto Alegre (RS) com a presença dos ministros da Saúde, Alexandre Padilha, e da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage.

O Hospital Conceição de Porto Alegre (RS) teve 15 leitos de UTI bloqueados nesta quinta-feira, durante visita dos ministros da Saúde, Alexandre Padilha, e da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage. Foram intensificadas as ações de vigilância e prevenção a infecções hospitalares, especialmente pelos agentes bacterianos Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) e a New Delhi metallo-B-lactamase-1 (NDM-1), identificados na instituição. O hospital registrou quatro pacientes colonizados pela NDM-1 e um caso de infecção, sendo que o paciente teve alta hospitalar. Também foram identificados 18 pacientes com a bactéria KPC.

Em parceria com as secretarias estadual e municipal da Saúde, serão abertos cinco leitos de UTI em hospitais de Porto alegre e 10 no município de Canoas. Também será ampliado o número de profissionais de limpeza na UTI e em áreas fechadas do Hospital Conceição, bem como o controle mais rigoroso no uso de antibióticos, além de intensificadas ações do Programa S.O.S Emergências. Padilha destacou ainda que outros hospitais devem intensificar ações de vigilância para prevenir novos casos semelhantes.

O ministro Padilha ressaltou que o Hospital Conceição realiza busca contínua de bactérias multirresistentes em pacientes internados em áreas fechadas. Ele explicou que estas bactérias se disseminam no ambiente hospitalar, principalmente em hospitais de alta complexidade, acometendo pacientes em situação crítica, em uso de vários antibióticos.

No início de abril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu o Comunicado de Risco às Comissões de Controle de Infecção Hospital (CCIH) e às Coordenações Estaduais de Controle de Infecção (CECIH). O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, determinou à direção do hospital a adoção de diversas medidas de prevenção e controle, entre elas a formação de uma equipe técnica para acompanhar e fazer um levantamento de toda situação.

Também foi determinada a busca ativa dos pacientes; a implementação de um plano de ação para higienização da UTI do Hospital; a distribuição de produtos saneantes para a limpeza de superfícies do Hospital e, ainda, a coleta de amostras ambientais a serem encaminhadas ao Lacen/RS para exames.

As enterobactérias são microrganismos que, em geral, habitam os intestinos humanos e eventualmente podem causar infecção em pacientes suscetíveis, em situação de estresse metabólico, como pacientes de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), pacientes com doenças crônicas debilitantes ou com feridas operatórias; usuários de medicamentos imunossupressores (como os corticoides e os usados para evitar rejeição de órgão transplantado) ou usuários de dispositivos como cateteres e sondas.

A resistência aos antibióticos das enterobactérias é um problema de saúde pública observado em hospitais do mundo todo. A disseminação do mecanismo de resistência e o risco de propagação entre as espécies são elevados. Não há evidências de ameaça às pessoas sadias ou à população, no entanto cuidados, como a lavagem das mãos, com sabão ou álcool gel, é a medida mais simples e mais eficaz no controle da disseminação de bactérias. Além disso, os profissionais de saúde devem manter o protocolo de medidas preventivas.

A KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) e New Delhi metallo-B-lactamase-1 (NDM-1) não são agentes bacterianos, mas um mecanismo de resistência que pode estar presente em diferentes tipos de bactérias Gram-negativas como Klebisella pneumoniae, Escherichia coli, Serratia marcescens, Proteus mirabilis, entre outras.

A transmissão ocorre por meio do contato direto, como tocar a outra pessoa, ou por contato indireto, por meio do uso de um objeto comum. O primeiro registro de KPC no Brasil foi em 2005, mas em outros países ela já existe há mais tempo, inclusive Dinamarca, França e Estados Unidos, países considerados com alto padrão de higienização nos hospitais.

Fonte: Isaude.net
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