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publicado em 01/05/2013 às 17h08:00
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Testes mostraram a eficácia de um nanocarreador coloidal " veículo" microscópico em penetrar as camadas da pele e transportar às células doentes o medicamento necessário para matá-las. Nesse estudo, a farmacêutica Natalia Neto Pereira Cerize utilizou um composto, o ácido 5-aminolevulínico (5-ALA), que depois de metabolizado pelas células doentes produz outro composto (a Protoporfirinia IX que mata as células doentes) que só é ativado quando exposto à luz visível, num procedimento conhecido como Terapia Fotodinâmica (TFD). A tecnologia já é usada em tratamentos clínicos para o câncer de pele.

O sistema testado utilizou Nanocarreadores Poliméricos Coloidais. Microscópicas partículas siliconadas que, como nanocápsulas, carregam uma droga o 5-ALA até a célula doente, que origina o tumor de pele, liberando a quantidade exata de medicação. O 5-ALA é considerado um pró-fármaco. Na forma de um creme, ele é aplicado sobre a lesão e, em seguida, recebe luz para ativar a Protoporfirinia IX (substância ativa que mata a células doentes). Tedesco adianta que apenas a área com lesão recebe luz visível e tem ação positiva na morte das células. O medicamento e a luz, sozinhos, nada fazem; apenas os dois juntos atingem o objetivo de destruir as células com câncer.

Estudos com essa técnica já haviam demonstrado o poder desses radicais livres (Protoporfirina IX) liberados pela TFD, contra as células doentes. Contudo, a substância ativada pela luz e aplicada sobre lesões na pele apresentava pouca penetração na epiderme e derme (camadas da pele), o que limitava sua aplicação tópica sem o auxílio de um " veículo" adequado.

O Centro de Nanotecnologia e Engenharia Tecidual da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) já trabalha há algum tempo desenvolvendo estes sistemas para o tratamento de várias doenças, entre elas o câncer de pele e outros tipos." O desenvolvimento de uma estrutura em escala nanométrica, específica para este tipo de tratamento fez toda a diferença" , explica o orientador da pesquisa, Antonio Claudio Tedesco, que conseguiu um novo sistema que encapsula a droga, aumenta o poder de penetração cutânea e atua especificamente, com liberação controlada do fármaco na célula cancerígena ou em lesões causadas por micro-organismos. " Este novo carreador veio abrir a possibilidade de seu uso em inúmeros outros estudos, voltados para muitas patologias diferentes" , garante Tedesco. É que, além do 5-ALA, estes nanocarreadores foram testados com outras drogas não permeáveis na pele, entre eles: um anti-inflamatório, uma vitamina e um antimicrobiano, com excelentes resultados.

Sobre os " novos veículos carreadores siliconizados" , o professor diz que ainda estão em fase de testes pré-clínicos. " Outros nanocarreadores vêm sendo utilizados com sucesso no tratamento de pacientes nos ambulatórios parceiros no desenvolvimento desta pesquisa envolvendo o câncer de pele" .

Quanto à droga, o 5- ALA, e a ativação com luz visível, informa que são exatamente os mesmos já utilizados em tratamentos envolvendo Terapias Fotodinâmicas contra o câncer em vários países do mundo e no Brasil. A novidade que a pesquisa atual desenvolveu foi introduzir o novo carreador (as microcápsulas de silicone). " Isto abre a possibilidade de se aplicar um creme contendo o 5-ALA nanoestruturado sobre a lesão, aplicar a luz, e induzir a morte das células doentes" .

Estes nanocarreadores permitem o desenvolvimento de uma nova família de medicamentos para uso tópico, utilizando uma nova plataforma de trabalho com os nanocarreadores siliconizados. Outros sistemas poliméricos, proteicos e mistos, que, igualmente, liberam lentamente os conteúdos que encapsulam estão em teste para tratar outras doenças, inclusive câncer. Existem ainda aqueles que comprovadamente permeiam a barreira que protege o Sistema Nervoso Central, usados em estudos para o tratamento de mal de Parkinson e Alzheimer.

O professor adianta que os estudos com esses carreadores que conseguem ultrapassar a proteção do Sistema Nervoso Central estão bem adiantados, abrindo " nova linha de estudos voltados para tratamento de doenças neurodegenerativas e, até mesmo, o câncer de cabeça, conhecido como glioma" . Já para o câncer visceral, Tedesco diz que " o correto é utilizar outros carreadores específicos que vão diferenciar a célula normal da com câncer" .

A patente do nanocarreador sliconizado já foi registrada no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) e depositada nos Estados Unidos. Com o sucesso dos resultados clínicos a serem desenvolvidos em breve, espera-se que a industrialização em larga escala também se torne realidade.

Fonte: Isaude.net
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