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publicado em 26/04/2013 às 15h43:00
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Foto: Eduardo R. Pereira
Biodiversidade da Ilha do Cardoso impede transmissão de causador da malária
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Biodiversidade da Ilha do Cardoso impede transmissão de causador da malária

Fatores ecológicos podem impedir a transmissão do plasmódio, micro-organismo causador da malária. Pesquisa na Ilha do Cardoso, área preservada de mata atlântica no litoral sul de São Paulo, mostra que a biodiversidade de aves e de mamíferos, bem como a diversidade de mosquitos não-vetores do parasita, contribuem para interromper a cadeia de transmissão do plasmódio. O estudo sugere um maior critério no uso e na ocupação do solo, de modo a manter a biodiversidade, especialmente na amazônia, região que apresenta o maior número de casos da doença. O estudo foi realizado pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.

De acordo com um dos autores, o biólogo Gabriel Zorello Laporta, o modelo clássico da dinâmica de transmissão da malária não incorpora os efeitos das interações ecológicas sobre o vetor e os hospedeiros, que podem influenciar ou não a transmissão do patógeno para os seres humanos. " Na dinâmica clássica, os fatores chaves são o vetor (mosquito), que incorpora o parasita (plasmódio) ao picar um hospedeiro infectado e que pode levá-lo a um hospedeiro suscetível" , conta o biólogo. "É um sistema simples, em que nenhum fator externo tem influência" , afirma, ressaltando que, " no entanto, o vetor e os hospedeiros não estão inertes e, dentro do ambiente, realizam interações que podem criar uma instabilidade na dinâmica e, dessa forma bloquearem a transmissão" .

Os pesquisadores desenvolveram um modelo conceitual teórico que foi testado na Ilha do Cardoso. " Nessa região não há presença do plasmódio, apesar das áreas de mata atlântica nas proximidades serem endêmicas para a malária" , descreve o cientista. " A chance de invasão é grande, mas nunca aconteceu" , aponta. " Dois fatores ecológicos poderiam bloquear a dinâmica de transmissão: os níveis altos de biodiversidade de aves e mamíferos, e também a diversidade de mosquitos não-vetores" .

As aves e mamíferos podem ser picados pelo mosquito que transmite o plasmódio, o qual não se desenvolve. " Isso corta a cadeia de transmissão, o que faz com que sejam conhecidos como hospedeiros não competentes ou ' dead end' [sem saída]" , afirma Laporta. " Se a alta abundância dessas espécies bloqueia a transmissão, no sentido inverso, uma presença baixa ou média de espécies pode ter o efeito inverso, o que poderia ser possível devido a caça, que é permitida, apesar da área ser preservada, criando um fenômeno conhecido como ' floresta vazia' " .

Competição

Os mosquitos transmissores competem com os não-transmissores por hospedeiros. "É uma competição difusa, pois tanto as aves quanto os mamíferos e os seres humanos não têm tolerância às picadas e desenvolvem um comportamento defensivo, fazendo com que nenhum mosquito consiga picar os hospedeiros" , ressalta o biólogo. " Dessa forma, a presença de mosquitos não-vetores tem efeito significativo e negativo na dinâmica de transmissão" .

Segundo Laporta, os dois fatores externos são serviços ecossistêmicos promovidos pela biodiversidade. " Em locais onde a diversidade de espécies é grande, como no caso da Ilha, acontece uma redundância funcional, ou seja, se algumas espécies de hospedeiros não-competentes ou mosquitos não-vetores são eliminados, ainda assim a região estará livre do plasmódio" , observa.

Fonte: Isaude.net
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