Saúde Pública
publicado em 30/11/2009 às 15h39:00
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Foto: Jeff Miller / Wisconsin University
Foto: Foca Lisboa / UFMG
Foto: Tatiane Martins Gonçalves/UFMG
Pesquisador da Faculdade de Medicina de Wisconsin, David Watkins, que também atua em pesquisa para o desenvolvimento de vacina anti-HIV, observa vírus em um microscópio Professor Dirceu Greco, da UFMG Equipe do Projeto Horizonte: trabalho multidisciplinar com 430 voluntários
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Pesquisador da Faculdade de Medicina de Wisconsin, David Watkins, que também atua em pesquisa para o desenvolvimento de vacina anti-HIV, observa vírus em um microscópio
Professor Dirceu Greco, da UFMG
Equipe do Projeto Horizonte: trabalho multidisciplinar com 430 voluntários

Nos últimos 15 anos, o relações-públicas Pedro Lúcio Abdala foi submetido a nada menos que 30 baterias completas de exames. Pedro Lúcio, portador do HIV, é saudável, mas volta a cada semestre à Faculdade de Medicina da UFMG para uma rotina de testes que inclui avaliação clínica e exames laboratoriais. Desde 1994 ele participa do Projeto Horizonte, iniciativa do Ministério da Saúde que pretende preparar voluntários para futuros ensaios clínicos com vacinas anti-HIV. " Quero ajudar nessa causa e estou pronto para receber uma vacina, caso surja" , afirma.

Solidariedade e altruísmo são traços comuns entre os mais de 1,3 mil voluntários recrutados pelo projeto, que comemorou 15 anos de atividades em novembro. " Atualmente, acompanhamos 430 voluntários, que certamente serão capazes de decidirem, autonomamente, sobre sua participação em futuros ensaios com vacinas anti-HIV" , avalia o coordenador do projeto, professor Dirceu Greco, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina. Segundo ele, Pedro Lúcio figura na estatística dos 56,3% dos participantes que se submeteriam a testes com vacinas, enquanto 14,7% têm medo de contaminação e 27,8% relatam insegurança quanto aos efeitos colaterais e dizem não ter informações suficientes.

Considerado estratégico pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, o projeto coordenado pela UFMG acompanha homossexuais e bissexuais masculinos HIV negativos com base em estudos de natureza comportamental, clínica, epidemiológica e laboratorial. " Os conhecimentos adquiridos sobre os aspectos teóricos e práticos das questões sociocomportamentais da infecção poderão contribuir para ampliação de outros estudos dessa natureza e para o planejamento e realização de ensaios clínicos com vacinas candidatas anti-HIV que venham a ser testadas no Brasil" , explica Greco.

Ele destaca como mérito do projeto a formação de equipe multidisciplinar com experiência na implantação e condução de estudos de coorte (grupo com características comuns), " que hoje se encontra preparada para implementar ensaios com vacinas anti-HIV" . Outro aspecto importante, para o coordenador, é a demonstração de que é factível manter em acompanhamento uma coorte como esta por longo período.

Além de continuar com a formação e capacitação de recursos humanos para o enfrentamento da epidemia, o projeto pretende ampliar e diversificar o perfil dos voluntários recrutados, difundir as informações sobre prevenção e disponibilizar os dados obtidos para o Ministério da Saúde e para a comunidade científica, " obviamente mantendo o sigilo e confidencialidade dos dados dos participantes" , como ressalta Dirceu Greco.

Recrutamento

A principal fonte de recrutamento do projeto tem sido a divulgação boca em boca, que resulta em voluntários com perfil sociocultural e sexual mais homogêneo e se reflete na dificuldade de alcançar segmentos como travestis e profissionais do sexo. " Vale lembrar que o projeto lida com pessoas sadias, não infectadas pelo HIV, para as quais inexiste aparente ganho imediato, pois não há medicamentos e, por enquanto, nem vacinas a serem oferecidos" , explica Greco. " Dessa maneira, o recrutamento se torna mais difícil e são necessárias abordagens diversas para captação de novos participantes" , completa.

Com objetivo de diversificar o perfil dos voluntários que chegam ao projeto, foram reestruturadas as atividades de comunicação e elaboradas novas estratégias de recrutamento que incluem a formação de uma equipe de divulgação que distribui panfletos em bares e boates LGBT, parcerias com ONGs e inserção da divulgação eletrônica, com utilização de e-mails, redes de relacionamentos, chats e grupos de discussões virtuais.

Pedro Lúcio Abdala também atua como voluntário na distribuição de panfletos sobre o projeto, sobretudo em bares e boates. " Carrego a bandeira do Projeto Horizonte e faço tudo o que posso para ajudar" , afirma. Ele comenta que embora a aids seja um problema tanto para os heterossexuais quanto para os homossexuais, o estigma permanece. " Ainda somos vistos como aqueles que trazem a doença. Mas o que importa realmente é fazer algo para evitar a disseminação e para encontrar a cura" , completa. Ele, que já perdeu muitos amigos vitimados pela aids, constata: " Nessa hora, não adianta ter dinheiro, recursos ou planos de saúde, por isso é importante buscar a cura" .

Como funciona o projeto

Os voluntários do Projeto Horizonte passam por avaliação semestral para detectar a infecção pelo HIV, investigar fatores de risco e avaliar o aconselhamento e práticas educativas na redução do risco de infecção. O protocolo inclui entrevistas de acolhimento e sociocomportamental, consulta clínica e atividades preventivas mensais em grupo.

Todos os participantes recebem assistência médica necessária, preservativos e gel lubrificante. Além disso, são oferecidos auxílio-transporte e alimentação para contribuir no comparecimento às atividades programadas. O projeto mantém contato frequente com os voluntários por meio de cartas, cartões de aniversário, telefonemas e e-mails. " São iniciativas que contribuem para fortalecer o vínculo com o Projeto" , avalia Dirceu Greco.

Os voluntários que se tornam soropositivos durante o acompanhamento recebem cuidados médicos e psicológicos da mesma equipe do Projeto, no Centro de Treinamento e Referência em DIP Orestes Diniz, que funciona em regime de cogestão pela UFMG e pela Prefeitura de Belo Horizonte.

Consentimento

A entrevista de acolhimento é conduzida pela equipe psicossocial do projeto, que fornece ao voluntário informações sobre as características e os objetivos do estudo. Neste momento, ocorrem a discussão e a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido e o preenchimento da ficha de identificação.

Já a entrevista sociocomportamental vale-se de questionário que identifica práticas sexuais, uso de preservativo e de álcool e drogas, além de investigar o conhecimento e a motivação para participação em ensaios de vacinas candidatas anti-HIV. " A partir das informações coletadas é possível fazer avaliação sociocomportamental, identificar situações de vulnerabilidade ao HIV e outras DSTs e conhecer os motivos dos voluntários para participarem de ensaios de vacinas anti-HIV" , explica a socióloga Marília Greco, que integra a equipe.

Segundo ela, ao final da entrevista, é realizado aconselhamento pré-teste, " que constitui importante instrumento para a quebra da cadeia de transmissão das DSTs e HIV/aids, pois propicia reflexão sobre os riscos de infecção e a necessidade de sua prevenção" . Também são solicitados ao voluntário a realização de exames de sorologia para HIV, sífilis, hepatite B e C e hemograma, providenciados pelo próprio projeto. Quinze dias após a coleta do sangue, a equipe psicossocial entrega os resultados e esclarece suas implicações aos voluntários. Em seguida, eles são encaminhados à consulta clínica, procedimento semestral, com avaliação dos exames laboratoriais solicitados. As informações obtidas na consulta são registradas em questionário clínico padronizado. As consultas são realizadas por médicos e acadêmicos bolsistas supervisionados.

O projeto inclui atividades preventivas mensais em grupo, como fóruns de discussão, oficina de sexo seguro, exibição de filmes seguidos de discussão (Cine Horizonte) e seminários. " Durante essas atividades, as pessoas discutem questões sobre sexualidade, afetividade, cidadania, prevenção às DST/aids, vacinas anti-HIV, identidade sexual, educação em saúde" , esclarece a socióloga.

" O Projeto Horizonte oferece um excelente suporte, com sua equipe de psicólogos e médicos. Durante o tempo em que não tinha plano de saúde, tive acesso a todos os serviços sempre que necessitei" , conta Pedro Lúcio.

O dia do laço vermelho

Transformar o 1o de dezembro em Dia Mundial de Luta contra a Aids foi uma decisão da Assembleia Mundial de Saúde, em outubro de 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/aids. No Brasil, a data passou a ser adotada em 1988. Este ano, o tema em reflexão é " Viver com aids é possível. Com preconceito, não."

A luta contra a doença e seus impactos é simbolizada pelo laço vermelho, desenhado em 1991 por profissionais de arte de Nova York para homenagear amigos e colegas mortos em decorrência da doença. Popular entre as celebridades e em cerimônias de entrega de prêmios, o laço continua sendo um forte ícone da luta, ao remeter à necessidade de ações, pesquisas e, principalmente, de solidariedade aos que convivem com o HIV/aids.

Fonte: UFMG
   Palavras-chave:   Aids    HIV    Vacina Anti-HIV    Projeto Horizonte    Ministério da Saúde    UFMG    Dirceu Greco   
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OSMAR MARÇAL LEANDRO
postado em:
04/12/2012 15:13:41
Boa tarde, acredito que tenha alguma relação o meu pedido, quero ser voluntario para pesquisa com veneno de aranha armadeira para disfunção erétil e não sei com quem eu falo ai na ufmg, vcs poderiam me ajudar por favor, sou totalmente saudavel exceto a D.E. causada pela prostatectomia radical, se puder me passar onde ou com quem poderia me recrutar eu agradeço, obrigado
alexandre moreira da costa
postado em:
02/09/2010 19:24:51
eu amei saber que eles continuam corendo atras da cura da aidis , quem sabe um dia eles consigam assim como nós homosexuais lutamos pelos nosso direitos no mundo , por nossa existencia de quem somos , pelos nossos sentimentos , livrer arbitrio da diversidade lgbtt www.manhunt www.valedoamanecer www.sarados de sungas www.netgay www.naohomofobia www.armariox
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