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publicado em 25/04/2013 às 12h47:00
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Pesquisa avaliou o efeito da poluição na variabilidade da frequência cardíaca de controladores de tráfego e taxistas na cidade de São Paulo. Em maior contato com a poluição do que os cidadãos comuns, trabalhadores do tráfego apresentam alterações em sua frequência cardíaca durante o repouso, como resposta a pequenas variações das concentrações de poluentes no ar.

Segundo o fisioterapeuta Daniel Antunes Alveno, autor da pesquisa, a constatação surpreende, considerada a exposição crônica dos controladores de trânsito e taxistas à poluição. Em pessoas menos expostas, os efeitos da poluição são sentidos apenas durante o exercício físico. Desenvolvido no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), o estudo buscou entender como a poluição age sobre o sistema cardiovascular desses trabalhadores.

A pesquisa considerou dados de 75 pessoas selecionadas em triagem no HC. Desses, 57 pertenciam ao grupo de trabalhadores do tráfego e os outros 18, constituindo uma espécie de grupo de controle, eram funcionários do Horto Florestal de São Paulo, localizado a mais de 12 quilômetros (km) do centro da cidade. Os participantes foram submetidos a quatro avaliações consecutivas no período de um mês, sendo uma por semana, em diferentes dias da semana.

No dia anterior à avaliação, os profissionais deveriam buscar um medidor de poluição que ficaria junto a eles por 24 horas, " para que fosse coletada a poluição a que eram expostos da forma mais próxima ao real" , relata Alveno. No dia seguinte, os trabalhadores devolviam o aparelho para análise e passavam por uma avaliação de sua frequência cardíaca em duas fases: repouso e exercício, momentos controlados de maneiras diferentes por uma parte do sistema nervoso denominada Sistema Nervoso Autonômo (SNA), responsável por regular as funções involuntárias do organismo, entre elas os batimentos cardíacos.

O SNA é subdividido em outros dois sistemas com funções antagônicas: o Sistema Nervoso Simpático (SNS), que estimula respostas do corpo a situações de estresse, incluindo exercícios físicos, acelera respiração e batimentos cardíacos, aumenta as concentrações de adrenalina e açúcar no organismo e ativa o metabolismo geral do corpo; e o Sistema Nervoso Parassimpático (SNP), que toma conta das atividades que respondem a situações calmas, desacelera coração e respiração, diminui pressão arterial, adrenalina e açúcar no sangue.

A interação e equilíbrio dos dois sistemas pode ser analisada por um componente denominado variabilidade da frequência cardíaca (VFC), que mede a diferença entre as frequências dos batimentos sob os estímulos nervosos simpático e parassimpático. O cenário ideal, que indica uma pessoa com sistema cardiovascular saudável, é a alta VFC. Por sua vez, a redução da VFC, com prevalência do SNS sobre o SNP, indica alteração das funções autônomas do organismo,seja por agentes internos ou externos.

" Os trabalhadores do tráfego tiveram uma redução da atividade do sistema parassimpático durante o repouso" , conta o pesquisador. " A primeira resposta esperada seria que esses profissionais tivessem um amento do funcionamento do sistema simpático. Mas como eles já possuem um nível alto de estresse, a resposta é a redução do parassimpático" , completa. Com o aumento dos níveis de poluição, os efeitos são ainda mais agudos.

Por sua vez, os funcionários do Horto Florestal, expostos a menos da metade da poluição a que o outro grupo é submetido diariamente tem redução parassimpática apenas durante o exercício, quando submetidos a um estresse cardiovascular, embora também apresentem prevalência das atividades do SNS durante o repouso. Essa prevalência do SNS mesmo no grupo dos trabalhadores florestais se dá pois, apesar de estarem expostos a uma quantidade menor de poluentes que o outro grupo, ainda assim estão sujeitos à quantidades significativas de poluição acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para baixo risco de doenças cardiovasculares (10 microgramas por metro cúbico de ar).

A diminuição da VFC, ressalta o pesquisador, não indica a presença de alguma doença. " A variabilidade da frequência cardíaca é uma resposta fisiológica a esse aumento da poluição" , diz. No entanto, os dados do estudo demonstram que pessoas com problemas como hipertensão, diabetes e obesidade, além de aparecerem em grande quantidade na população estudada, correspondem justamente ao grupo que teve respostas ainda mais intensas ao aumento da concentração de poluentes. " Não se sabe se a poluição é agente causador ou agravador mas quem é muito exposto a ela pode ter maior tendência ao aumento e agravamento dessas enfermidades" , avalia o fisioterapeuta.

Fonte: Isaude.net
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