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publicado em 18/04/2013 às 13h01:00
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Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Infusão parenteral evita perdas decorrentes dos processos digestivos e absortivos
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Infusão parenteral evita perdas decorrentes dos processos digestivos e absortivos

A infusão pré-operatória de emulsão lipídica parenteral (pelas veias) de óleo de peixe em pacientes com câncer gastrintestinal pode favorecer a resposta imunológica pós-operatória, revela pesquisa da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). O óleo de peixe é rico em ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa ômega-3 (AGPI w-3), que têm potencial para prevenir ou atenuar inflamações.

A pesquisa foi realizada pela bióloga Raquel Torrinhas em 63 pacientes internados para cirurgia eletiva de ressecção de câncer de estômago e cólon, na Divisão de Cirurgia do Aparelho Digestivo do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP.

Entre os pacientes selecionados, 31 receberam óleo de peixe e 32, no grupo controle, receberam infusão de emulsão parenteral rica em triglicérides de cadeia média. " Todos foram selecionados de acordo com critérios de inclusão específicos, como índice de Karnofsky (medida da capacidade funcional) e condição venosa periférica adequada para infusão parenteral e coletas de sangue" , conta Raquel.

A infusão da emulsão lipídica ocorreu de forma duplo-cega, por veia periférica, na concentração de 0,2 gramas (g) de gordura por quilo (kg) de peso corpóreo por dia, durante seis horas contínuas e com rodízio diário do acesso venoso. Os pacientes que compuseram o grupo experimental receberam a infusão parenteral de emulsão de óleo de peixe, rica em AGPI w-3. Já os que compuseram o grupo controle receberam a infusão parenteral de emulsão com 50% de triglicérides de cadeia longa e 50% de cadeia média.

No período pós-operatório, pacientes tratados com emulsão de óleo de peixe apresentaram menores níveis de interleucina IL-6 e maiores níveis da interleucina IL-10, em comparação aos que foram tratados com emulsão lipídica controle. " Enquanto a IL-6 é um mediador imunológico relacionado com inflamação e imunossupressão, a IL-10 tem propriedades anti-inflamatórias" , conta Raquel. " Pacientes tratados com óleo de peixe apresentaram ainda funções ou marcadores de funções leucocitárias (das células de defesa do organismo) pós-operatórios melhores do que aqueles tratados com emulsão controle, notadamente menor diminuição da explosão oxidativa leucocitária, manutenção da porcentagem de monócitos exprimindo moléculas de superfície HLA-DR e CD32 e aumento da intensidade da expressão de CD32 por neutrófilos" . A migração leucocitária não foi influenciada" , disse.

Resposta imunológica é maior em pacientes que receberam óleo de peixe

De acordo com a bióloga, não foram encontradas diferenças na frequência de infecções e no tempo de permanência na unidade de terapia intensiva e hospitalar. " Portanto, em comparação à emulsão lipídica controle, emulsão de óleo de peixe associou-se com benefícios de ordem imunológica, sem melhora significativa na evolução clínica imediata de nossos pacientes" , observa.

A resposta imunológica pode ser direta ou indiretamente influenciada pelo AGPI w-3, principalmente ácidos eicosapentaenoico (EPA) e docosaexaenoico (DHA) presentes em abundância no óleo de peixe, prevenindo ou atenuando a inflamação. " Cabe ressaltar que o AGPI w-3 parece ser incorporado a membranas celulares plasmáticas e sanguíneas mais rapidamente quando infundidos por via parenteral (um a três dias), do que quando ingeridos por via enteral, ou seja, pelas vias digestivas (quatro a sete dias)" , afirma Raquel.

Na Europa, Ásia e América do Sul, emulsão lipídica parenteral composta por óleo de peixe, rica em AGPI w-3, é rotineiramente infundida associada a emulsões lipídicas convencionais, como parte da terapia nutricional parenteral (TNP). A proposta principal do estudo foi utilizá-la como um nutracêutico, independente da indicação de TNP.

" Como parte da TNP, em pacientes cirúrgicos, a infusão perioperatória de emulsão lipídica de óleo de peixe se associa à preservação de funções imunológicas e modulação favorável de mediadores inflamatórios pós-operatórios, com redução na frequência de complicações infecciosas e no tempo de internação em unidade de terapia intensiva e hospitalar" , conta a bióloga. " Atualmente, segundo diretrizes brasileiras, europeias e americanas, a TNP deve ser indicada apenas a pacientes que não conseguem preencher suas necessidades nutricionais por via enteral. Assim, a maioria dos pacientes cirúrgicos em pré-operatório perde as vantagens potenciais da infusão de AGPIs w-3 por via parenteral" .

Segundo Raquel, a infusão isolada de emulsão parenteral de óleo de peixe como fármaco-nutriente já foi realizada por outros pesquisadores em outras populações de pacientes e vem se mostrando segura, quando feita na mesma dose que aquela adotada na pesquisa (0,2g de gordura/ kg de peso corpóreo/ dia).

Fonte: Isaude.net
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