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publicado em 12/04/2013 às 12h33:00
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Em Unidades de Terapia Intensiva Pediátricas (UTIP), o uso de múltiplas medicações e a idade menor que quatro anos são fatores de risco significativos para a ocorrência de eventos adversos medicamentosos. Em estudo realizado na Faculdade de Medicina (FM) da USP, a médica Dafne Cardoso Bourguignon da Silva buscou descrever as ocorrências médicas associadas ao uso de medicamentos que acontecem em crianças internadas em UTIP e identificou os fatores de risco que podem desencadear tais efeitos.

Foram analisados os dados de 239 crianças, a maioria com alguma doença de base, internadas na UTI Pediátrica do Instituto da Criança (IC) do Hospital das Clínicas (HC) da FM, em um período de seis meses. Ao todo, foram identificados 110 ocorrências em 84 crianças. Destas, 21 apresentaram mais de um evento. Entre as principais complicações, conta a médica, estão distúrbios bioquímicos, como a hiponatremia (concentração de sódio no plasma sanguíneo menor que a normal), hiperglicemia e deficiência de potássio.

Eles são seguidos por reações alérgicas, queda de oxigenação e pressão baixa. " Também ocorreram eventos graves como convulsões e uma parada cardiorrespiratória" , diz. " Os medicamentos mais envolvidos foram antibióticos, diuréticos, anticonvulsivantes, sedativos e analgésicos, além de corticóides" .

A pesquisa mostrou que a quantidade de medicações necessárias aos pacientes foi alta e se correlacionou à ocorrência de complicações. A pediatra explica: " Crianças recebendo 5 medicações tinham 2,19 vezes mais chance de terem um evento adverso. Crianças recebendo 11 medicações tinham 7,26 vezes mais chance" .

O estudo aponta para a maior suscetibilidade de crianças com menos de quatro anos. De acordo com Dafne, é provável que o fato se dê em função de os órgãos e sistemas desses pacientes ainda estarem em desenvolvimento e não reagirem como adultos às intervenções médicas.

Uma das principais decorrências dos eventos adversos é o prolongamento da internação na UTI. Crianças que apresentam problemas decorrentes da utilização de medicamentos ficaram, em média, 11 dias internadas, contra 5,3 dias sem nenhuma complicação.

Ela conta que nem sempre os eventos adversos podem ser evitados, mesmo quando são prescritos apenas os remédios realmente necessários " O importante é fazer o diagnóstico precoce do evento adverso, por exemplo através da busca ativa realizada no estudo, para que o tratamento também seja precoce e diminua a repercussão clínica na criança já tão doente" .

Fonte: Isaude.net
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