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publicado em 11/04/2013 às 15h57:00
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Foto: Antoninho Perri/Unicamp
Benedicto de Campos Vidal, professor emérito da Unicamp e docente do Instituto de Biologia (IB)
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Benedicto de Campos Vidal, professor emérito da Unicamp e docente do Instituto de Biologia (IB)

Estudo da Universidade Estadual de Campinas(Unicamp) revela como as fibras de colágeno se organizam na pele, a partir de investigações em modelo animal. Segundo a pesquisa, elas se arranjam de modo a formar feixes que se distribuem em diferentes posições, inclusive no plano da profundidade. O trabalho foi publicado na revista científica PLoS One.

A pesquisa foi coordenada pelo professor emérito do instituto de Biologia da Unicamp, Benedito de Campos Vidal." Informações como estas são importantes porque podem contribuir para o desenvolvimento de métodos terapêuticos voltados à recuperação de lesões de pele de vários tipos" , explica.

A ideia que orientou a pesquisa não surgiu por acaso. Ela tem conexão com estudos realizados pelo professor nos últimos 50 anos.Baseado na capacidade das fibras de colágeno de interagirem com a luz, o pesquisador concebeu um método para identificar e medir a birrefringência (fenômeno em que de um único raio se criam dois raios refratados) desse material.

O objetivo do procedimento era investigar as propriedades ópticas das fibras, para desvendar como elas se organizam na pele. O professor já havia realizado um trabalho parecido com tendões. " Estudei pormenorizadamente as propriedades do tendão. Estipulei, por exemplo, que ele não é um sólido e nem um líquido, mas um cristal líquido fibroso, tipo ' twisted grain boundary' , que tem capacidade de mudar o plano de polarização da luz" , detalha.

No tendão, prossegue Vidal, as fibras de colágeno estão alinhadas entre o osso e o músculo, de forma que qualquer esforço aplicado faz com que elas sigam na direção do eixo do próprio tendão. " Na pele, o arranjo das fibras é diferente.Tomemos a imagem de uma pessoa exercendo pressão sobre a própria pele. O que ocorre é que as fibras seguem na direção da força aplicada. Se o esforço for feito em outra direção, as fibras o acompanharão. Ou seja, qualquer que seja a incidência do esforço, as fibras se alinharão para ficar o mais paralelamente possível ao vetor desse esforço, inclusive no plano perpendicular" , diz.

Para que a pele se comporte dessa maneira é preciso que haja, em dimensão microscópica, um arranjo específico. " Isso vinha sendo cogitado por diversos autores, mas faltavam detalhes sobre como essa organização acontece em profundidade. O que este trabalho recente fez foi justamente decifrar essa morfologia" .

Para descrever em minúcias como se dá o arranjo das fibras de colágeno na pele, Vidal e sua equipe usaram tecidos extraídos de ratos. Estes foram analisados com o auxílio da microscopia de polarização.O microscópio de polarização, esclarece o professor, possui uma fenda na qual é colocado um cristal compensador. Ele leva essa denominação porque combina a birrefringência dos feixes de colágeno com a sua própria birrefringência.

Assim, quando os valores das birrefringências se mostram iguais e de sinais contrários, a birrefringência do colágeno é anulada e a imagem dos feixes fica escura. Quando a estrutura molecular da fibra está na mesma orientação da estrutura do cristal, os feixes brilham. O brilho da birrefringência, assinala Vidal, varia de acordo com a direção das fibras, que se juntam para formar os feixes. " Dentro do próprio feixe há variação de brilho, pois as fibras se retorcem formando hélices, o que não havia sido descrito antes. Esses feixes, por sua vez, também se enrolam criando novas hélices, dando origem a uma estrutura helicoidal, ou seja, forma-se uma estrutura quiral [assimétrica]" .

Tais descobertas, relata o professor, podem ajudar a orientar estudos voltados ao desenvolvimento de terapias regenerativas, destinadas a pacientes que apresentam lesões de pele. " Por hipótese, é possível que o uso de massagens e a aplicação de luzes, como o laser, provoquem respostas biofotônicas que favoreçam o tratamento" .

Fonte: Isaude.net
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