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publicado em 11/04/2013 às 15h27:00
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Foto: Antoninho Perri/Ascom/Unicamp
Foto: Antoninho Perri/Ascom/Unicamp
Anne Hélène Fostier durante pesquisa de campo José Javier Melendez Pérez e Anne Hélène Fostier
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Anne Hélène Fostier durante pesquisa de campo
José Javier Melendez Pérez e Anne Hélène Fostier

Pesquisa inédita da Unicamp revela que o desmatamento provocado por queimadas na região amazônica brasileira pode gerar um agravante ainda desconhecido.Além da destruição do bioma, as queimadas na região provocam elevadas emissões de mercúrio na atmosfera, elemento altamente tóxico aos seres vivos.A investigação demonstrou que são liberados, anualmente, 12 toneladas de mercúrio com a queima da vegetação e do solo superficial da floresta.

O cálculo considerou a taxa anual de desmatamento da região, estimada em 1,7 milhão de hectares no período entre 2000 e 2010. O trabalho foi coordenado pela oceanógrafa Anne Hélène Fostier, do Instituto de Química (IQ) da Unicamp.Os resultados integram programa de estudos destinado a quantificar as principais emissões provenientes das queimadas da floresta amazônica. O objetivo é dimensionar o impacto sobre as emissões atmosféricas, bem como estudar os parâmetros de combustão da mata.

A queima da floresta potencializa em pelo menos 50% a transferência do mercúrio para a atmosfera. Tal propagação ocorre no primeiro ano depois do desmatamento.O processo seria responsável por lançar mais quatro toneladas de mercúrio por ano na atmosfera, totalizando a emissão de 12 mil quilos do elemento tóxico. O aumento desta transferência acontece porque o solo fica mais exposto à radiação solar devido à queima da floresta.

Com isso, a troca gasosa do mercúrio presente no solo para a atmosfera torna-se mais favorável. " Por ser um elemento muito volátil, o mercúrio é liberado como consequência da queima da vegetação e do solo superficial. Mas isso acontece também após a queimada porque o solo está sem cobertura vegetal. Esta falta de vegetação favorece a troca gasosa entre o solo e a atmosfera. Quanto maior a intensidade luminosa, maiores são as emissões de mercúrio pelo solo quando este não está coberto por floresta" , explica.

As primeiras investigações sobre o assunto foram realizadas no final dos anos de 1990 no Estado do Amapá. O último trabalho de campo na floresta aconteceu em setembro de 2011, em uma estação experimental da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), localizada no Acre.

Anne Hélène Fostier adverte que, uma vez lançado na atmosfera, o mercúrio pode ir para o solo ou para os corpos aquáticos. Nos rios, lagos e oceanos o elemento nocivo passa por um processo de metilação, que o torna ainda mais tóxico. Qualquer processo que favoreça a incorporação de mercúrio na cadeia alimentar eleva os riscos imediatos de intoxicações para a população, tornando-se um problema local e regional.

Em âmbito global, a preocupação com o poluente impulsionou a assinatura de um tratado em fevereiro último. Conhecido como Convenção de Minamata, o acordo objetiva reduzir as fontes de emissão de mercúrio do planeta. O Brasil é um dos signatários desta convenção. Para entrar em vigor, o acordo necessita da aprovação de 50 países.

O nome do tratado é uma referência ao desastre na cidade de Minamata, no Japão, que intoxicou, por meio do mercúrio na água, centenas de pessoas. A tragédia ocorrida na década de 1920 deu origem à Doença de Minamata, uma síndrome neurológica causada pela intoxicação com o elemento químico.

Fonte: Isaude.net
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