Saúde Pública
publicado em 11/04/2013 às 17h30:00
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Foto: Valter Campanato/ABr
Ruas da cidade de Havana onde ainda circulam carros da década de 50
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Crises econômicas graves podem causar melhorias na saúde pública, de acordo com pesquisadores da Loyola University Health System, nos EUA.

A pesquisa mostra que a escassez de bens causada pela recessão da economia pode levar a declínios nas taxas de obesidade, diabetes e doenças cardíacas.

O estudo foi publicado no British Medical Journal.

A crise econômica em Cuba após a queda da União Soviética forneceu aos pesquisadores um experimento natural único sobre a incidência de obesidade, diabetes e doenças do coração.

No início de 1990, a escassez de alimentos e gasolina obrigou os cubanos a comer menos e andar mais a pé e de bicicleta. Adultos perderam, em média, 9 a 11 quilos, e o índice de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares caiu drasticamente.

No entanto, os pesquisadores mostraram que depois que a economia começou uma recuperação lenta, mas constante, adultos gradualmente ganharam de volta o peso que haviam perdido e alguns engordaram mais.

Este ganho de peso foi acompanhado por um aumento de 116% na prevalência de diabetes tipo 2. E, enquanto as mortes por doenças do coração continuaram a diminuir, a taxa de diminuição desacelerou acentuadamente.

"houve um resultado positivo fortuito que resultou de uma experiência negativa", afirma o autor sênior da pesquisa Richard S. Cooper.

Os pesquisadores disseram que a análise de Cuba oferece uma "experiência única natural de 30 anos", que pela primeira vez documenta o impacto que um ciclo de perda e ganho de peso de uma população em geral tem sobre o diabetes e as doenças cardiovasculares.

De 1991 a 1995, Cuba sofreu uma profunda crise econômica, devido à perda dos subsídios soviéticos e um aperto do embargo comercial dos EUA. Houve grave escassez de alimentos e gasolina. Transporte motorizado praticamente fechado, e mais de um milhão de bicicletas foram distribuídas. O consumo de energia a partir de alimentos caiu de cerca de 3 mil calorias por dia para menos de 2.400 calorias por dia. Mas em 2002, o consumo de energia subiu para acima desses níveis pré-crise.

Os pesquisadores realizaram quatro questionários com a população de cubanos entre 15 e 72 anos. As pesquisas, realizadas na cidade de Cienfuegos, na costa sul de Cuba, foram feitas em 1991 (1.657 participantes), 1995 (1.351 participantes), 2001 (1.667 participantes) e 2011 (1.492 participantes).

Durante os anos de crise econômica, 80% da população foi classificada como fisicamente ativa. Número que desde então caiu para a atual taxa de 55%. A porcentagem da população que estava acima do peso ou obesa aumentou de 33,5% em 1995 para 52,9% em 2011.

Após o período de crise econômica, a mortalidade por doença cardíaca coronária diminuiu acentuadamente, a uma taxa de 6,5% por ano. Mas depois de 2002, a taxa de declínio desacelerou para 1,4% ao ano, similar ao ano pré-crise.

"A experiência cubana demonstra que dentro de um período relativamente curto, a perda de peso modesta em toda a população pode ter um profundo efeito sobre a carga global de diabetes. Em Cuba, a perda de peso também teve um efeito importante sobre as tendências das doenças cardiovasculares e todas as causas de mortalidade", concluem os pesquisadores.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Crise econômica    Saúde pública    Cuba    Loyola University Health System    Richard S. Cooper   
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