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publicado em 07/02/2013 às 14h19:00
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Princesa Mulan do filme Mulan de 1998. Personagens presentes no imaginário da maioria das meninas carregam em si uma série de particulares significados Princesa Branca de Neve do filme A Branca de Neve e os Sete Anões de 1937
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Princesa Mulan do filme Mulan de 1998. Personagens presentes no imaginário da maioria das meninas carregam em si uma série de particulares significados
Princesa Branca de Neve do filme A Branca de Neve e os Sete Anões de 1937

A pesquisa "Girando entre Princesas: performances e contornos de gênero em uma etnografia com crianças", estudou de que maneira as imagens de princesas de contos de fadas servem como um referencial de gênero e exemplo de feminilidade. O estudo foi realizado com cerca de 200 crianças de cinco anos de três escolas, públicas e particulares, do interior de São Paulo (duas em Jundiaí e uma em Marília).

Por intermédio de observações participantes, a antropóloga Michele Escoura, d o Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da USP, avaliou a influência exercida nas crianças pela marca registrada " Disney Princesas" . As imagens das personagens das produções cinematográficas dos estúdios Walt Disney estão presentes no imaginário e no cotidiano da maioria das meninas e carregam em si uma série de particulares significados. Segundo a antropóloga, é necessário mostrar a elas outros referenciais de mundo e do que é ser mulher.

Durante o acompanhamento do cotidiano das crianças de diferentes classes sociais, que durou um ano, Michele percebeu que as princesas da Disney eram operadas como um referencial para demarcar o gênero: " Uma brincadeira era de menina quando de alguma maneira as crianças resolviam brincar de princesas. As meninas não tinham necessariamente que reproduzir as ações das personagens nas brincadeiras, mas apenas a citação das princesas, ou a utilização de algum produto relacionado a elas enquanto brincavam já demarcava a participação exclusiva de meninas naquela atividade."

O levantamento foi fundamentado nas teorias de gênero, difundidas a partir dos anos 1970. " Segundo estas teorias, os referenciais de masculinidade e feminilidade não são pautados pela natureza, mas apreendidos segundo os modos de socialização a que nos submetemos. Diferentemente do sexo, enquanto um referencial anatômico de macho e fêmea, os gêneros masculino e feminino resultam de uma construção social, e variam de acordo com cada cultura" , afirma Michele.

Além de acompanhar as brincadeiras, Michele exibiu nas escolas os filmes " Cinderela" e " Mulan" , com o objetivo de mapear como as crianças compreendiam as narrativas dos filmes com princesas da Disney. A escolha foi feita porque tratam-se de duas personagens " Disney Princesas" conceitualmente diferentes. Enquanto Cinderela é a princesa ' clássica' , passiva, sempre à espera de outras pessoas para resolver os seus problemas, Mulan, segundo a própria descrição no site da Disney, é uma princesa rebelde, que a partir de suas ações, desencadeia os acontecimentos na história."

Após as exibições, a antropóloga solicitou que as crianças retratassem, em desenhos comentados, a cena mais relevante de cada um dos filmes. Entre os muitos elementos captados, alguns chamavam a atenção, como a necessidade de vínculo conjugal da princesa com um príncipe, ou ainda o padrão estético, de beleza e comportamento.

De acordo Michele, o estatus de princesa não foi facilmente atribuído pelas crianças à Mulan, em contraposição à Cinderela. Muitas crianças resistiram em considerar Mulan uma princesa e os argumentos, principalmente, se pautavam em dois motivos: Primeiro, por a personagem não apresentar o padrão estético, de beleza e comportamento, da maioria das outras princesas. Em segundo lugar, e mais importante, pelo final do filme não deixar claro se Mulan se casou ou não. Segundo Michele, indagada sobre o porquê Mulan não seria uma princesa, uma das crianças respondeu: " Tia, para ser princesa precisa casar, né? Senão não vai ser princesa, vai ser solteira!"

Com informações da Agência USP

Personagens dos desenhos

Criada no início dos anos 2000, a marca registrada " Disney Princesas" reúne os direitos de reprodução das imagens de algumas personagens presentes nas produções cinematográficas da Walt Disney Company, nos mais variados tipos de produtos, de mochilas e cadernos até jogos de videogame. A franquia nasceu com a ideia de potencializar os lucros da empresa, principalmente por intermédio do jovem público consumidor feminino.

A marca conta hoje com dez personagens: Branca de Neve, do filme A Branca de Neve e os Sete Anões (1937); Cinderela, de Cinderela (1950); Aurora, de A Bela Adormecida (1959); Ariel, de A Pequena Sereia (1989); Bela, de A Bela e a Fera (1991); Jasmine, de Alladin (1992); Pocahontas, de Pocahontas (1995); Mulan, de Mulan (1998); Tiana, de A Princesa e o Sapo (2009); e Rapunzel, de Enrolados (2010).

Fonte: Isaude.net
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