A jovem curitibana que concedeu entrevista à reportagem do G1 ficou grávida e não quis ter o bebê. " Não era a hora, não tinha estrutura física nem psicológica para enfrentar uma gravidez. Quero dar muito mais para um filho um dia" , afirmou. A estudante pesquisou na internet e conversou com duas vendedoras antes de efetivar a compra do abortivo, porém, não foi orientada sobre os efeitos colaterais da medicação.
Ela revela que o aborto foi difícil. " Passada, em média, uma hora e meia, comecei a sentir cólicas fracas. A cada hora que passava, ficava mais forte" , conta. " Depois de umas quatro horas, comecei a ter diarreia e vômitos. Depois de umas cinco ou seis horas comecei a ter contrações moderadas, e dali por diante só piorou. Começou a ficar tão forte, que eu me contorcia muito e chegava a gritar. Mordia o que podia para conter a dor. Minha pressão baixou duas vezes. Já estava tão fraca no final do processo, que estava praticamente desmaiada, e isso é perigoso" , ela conta.
O médicos condenam o uso. Adilson Bezerra, da Anvisa, informa que "os abortivos são um problema de saúde pública e o uso sem supervisão médica pode levar à morte da gestante. Além disso, tem a questão da qualidade do medicamento. Não se sabe como é transportado, armazenado, se foi exposto à contaminação. Pode causar até a morte de quem faz uso dele."
A ginecologista Carolina Ambrogini, da Universidade Federal da São Paulo (Unifesp), diz que ocorrem com frequencia casos de adolescentes e mulheres que passam mal após uso de abortivos nos prontos-socorros. Além disso, ela ressalta que "não é em 100% dos casos que aborta e o feto pode nascer com alguma deficiência."