Ciência e Tecnologia
publicado em 06/02/2013 às 09h46:00
   Dê o seu voto:

 
tamanho da letra
A-
A+

A avaliação da condição cardíaca em portadores de esclerose sistêmica é decisiva na seleção dos pacientes que podem ser beneficiados pelo transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH). A afirmação é resultado de pesquisa que propõe novas diretrizes para triagem de pacientes pré-TCTH. O estudo foi realizado pela Northwestern University, em Chicago (Estados Unidos), sob a coordenação de Richard Burt, e pelo Centro de Terapia Celular do Hemocentro de Ribeirão Preto, ligado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP.

O levantamento é resultado de análise retrospectiva de 90 pacientes com esclerose sistêmica difusa ou limitada e doença intersticial pulmonar, sendo 31 acompanhados no serviço brasileiro por meio de protocolo no período de novembro de 2002 a julho de 2011. A conclusão do trabalho mostra que pacientes portadores de esclerose sistêmica, mas com comprometimento cardíaco grave, apresentam mau desempenho pós-transplante. Os resultados mostram que o índice de sobrevida nos transplantados foi de 78% em cinco anos (depois de oito mortes relacionadas a recaídas) e a sobrevida livre de recidiva foi de 70% em cinco anos.

A pesquisa sugere que, para alcançar os melhores resultados com o TCTH em portadores de esclerose sistêmica, é necessário realizar uma série de exames que devem incorporar ecocardiograma, cateterismo cardíaco e ressonância magnética cardíaca. " Estas avaliações, apesar de serem dispendiosas, demoradas e, no caso do cateterismo, invasivas, evitam a inclusão de pacientes graves demais" , ressalta Maria Carolina Oliveira, uma das responsáveis pelo estudo na USP. "É possível ainda que todo este esse conjunto de avaliações seja exagerado, mas só novas pesquisas poderão fornecer esta resposta" .

Avaliações

Os pesquisadores verificaram que as avaliações são uma precaução a ser considerada pela comunidade científica mundial como forma de reduzir a toxicidade do transplante, pois comprova a importância da avaliação na prática. Também mostra que a gravidade de uma doença nem sempre justifica a realização de procedimentos de alto risco. Observações semelhantes já haviam sido divulgadas por alguns autores na literatura científica com a proposição de que os pacientes com a doença deveriam passar por uma avaliação cardíaca detalhada pré-transplante.

Embora ainda considerados experimentais, os transplantes têm se consolidado como terapia eficaz para controlar doenças autoimunes, como a esclerose sistêmica, que afeta a pele, o trato gastrointestinal, os pulmões e o coração. As alterações cardíacas podem ser de motilidade e causar arritmias. Tais alterações são muito pouco sintomáticas ou completamente assintomáticas. O transplante emprega drogas tóxicas para o coração, como a ciclofosfamida, além de provocar sobrecarga cardíaca pelo uso de grandes volumes líquidos. Essa associação de transplante com doença cardíaca prévia parece aumentar o risco do procedimento, além de deteriorar a função cardio-pulmonar pós-transplante.

Em casos graves da doença a taxa de mortalidade pode chegar a 50% em cinco anos. A melhor terapia disponível, com pulsos de ciclofosfamida, só consegue evitar a progressão da doença em uma pequena parcela de pacientes. Assim, o transplante pode diminuir a mortalidade da doença, sobretudo com base nesta nova diretriz, que exclui pacientes com quadro cardíaco já avançado. " O transplante é uma terapia agressiva, mas que ocorre de uma só vez, ao contrário dos pulsos de ciclofosfamida, que são mensais e duram anos, provocando náuseas, vômitos, queda de cabelos, infertilidade" , relata Carolina. " O transplante como tratamento único pode contribuir muito para a qualidade de vida dos pacientes" .

Após o transplante, o paciente, que inicialmente apresenta uma pele endurecida, aderida aos planos profundos e limitando os movimentos, recupera grande parte da elasticidade da pele e da mobilidade articular. O estudo continua ativo e, hoje, Ribeirão Preto tem mais de 45 pacientes com esclerose sistêmica transplantados. Com base nas conclusões apontadas, os pesquisadores programaram um novo protocolo, agora com a inclusão apenas de pacientes que não apresentem problemas cardíacos.

Com informações da Agência USP

Veja o artigo completo publicado na The Lancet

Fonte: Isaude.net
  • Indique esta NotíciaIndique esta Notícia
  • Indique esta NotíciaCorrigir
  • CompartilharCompartilhar
  • AlertaAlerta
Link reduzido: 
  • Você está indicando a notícia:
  • Para que seu amigo(a) receba esta indicação preencha os dados abaixo:

  • Você está informando uma correção para a matéria:


Receba notícias do iSaúde no seu e-mail de acordo com os assuntos de seu interesse.
Seu nome:
Seu email:
Desejo receber um alerta com estes assuntos:
esclerose sistêmica    avaliação cardíaca    pré-TCTH    transplante de células-tronco hematopoiéticas    Northwestern University    Richard Burt    HCFMRP    USP    Maria Carolina Oliveira   
Comentários:
Comentar
Deixe seu comentário
Fechar
(Campos obrigatórios estão marcados com um *)

(O seu email nunca será publicado ou partilhado.)

Digite a letras e números abaixo e clique em "enviar"

  • Twitter iSaúde
publicidade
Jornal Informe Saúde

Indique o portal
Fechar [X]
  • Você está indicando a notícia: http://www.isaude.net
  • Para que seu amigo(a) receba esta indicação preencha os dados abaixo:

RSS notícias do portal  iSaúde.net
Receba o newsletter do portal  iSaúde.net
Indique o portal iSaúde.net
Notícias do  iSaúde.net em seu blog ou site.
Receba notícias com assunto de seu interesse.
© 2000-2011 www.isaude.net Todos os direitos reservados.