Pesquisadores da Austrália visualizaram, pela primeira vez, como a insulina interage com as células. A descoberta pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos mais eficazes para tratar o diabetes tipo 1 e 2.
A pesquisa, publicada na revista Nature, revela que a insulina muda de formato para se encaixar em seu receptor e se ligar à superfície celular.
Os cientistas vêm tentando há mais de 20 anos resolver o mistério de como a insulina se liga ao seu receptor nas células. "Compreender como insulina interage com o receptor é fundamental para o desenvolvimento de novos tratamentos para o diabetes. Até agora, não tínhamos sido capazes de visualizar tridimensionalmente como essas moléculas interagem com as células. Podemos agora explorar esse conhecimento para melhorar a qualidade e eficácia das terapias", afirma o pesquisador Mike Lawrence, do Walter and Eliza Hall Institute.
As células do corpo humano absorvem o açúcar dos alimentos ingeridos para gerar energia. No entanto, a glicose não penetra na membrana celular sem a ajuda da insulina, produzida naturalmente pelo pâncreas. Para absorver o açúcar, a maioria das células tem "receptores" de insulina que se ligam ao hormônio assim que ele entra na corrente sanguínea.
Os cientistas inseriram sondas que são ativadas por luz ultravioleta quando dentro do receptor. O procedimento cria imagens tridimensionais altamente detalhadas e permitiu visualizar a interação entra insulina e receptor.
"Nós descobrimos que o hormônio insulina envolve seu receptor de uma forma muito incomum. Tanto a insulina quanto o receptor sofrem rearranjos conforme interagem", destaca Lawrence.
Segundo Lawrence, a insulina controla quando e como a glucose é utilizado no corpo humano. O receptor da insulina é uma proteína grande na superfície de células às quais o hormônio se liga. A geração de novos tipos de insulina tem sido limitada pela incapacidade de ver como a insulina se ' encaixa' ao seu receptor no organismo.
A equipe acredita que a descoberta pode levar à construção de novos tipos de insulina, que podem ser dados por outros meios sem ser a injeção ou que tenham melhores propriedades, de modo que não precisam ser tomados frequentemente.
Os resultados também podem ter ramificações para o tratamento do diabetes em países em desenvolvimento, através da criação de uma insulina mais estável e menos propensos à degradação quando não é mantida resfriada.