Saúde Pública
publicado em 29/11/2012 às 10h10:00
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Tarefa de aproximação com o doente e a identificação das possibilidades de ajuda
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Tarefa de aproximação com o doente e a identificação das possibilidades de ajuda

Sozinhos e sem suporte, familiares de pacientes com câncer em estágio terminal precisam ser ouvidos e necessitam de assistência, afirma a pesquisadora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, Carolina Oliveira Serradela Fonseca. Estudando a realidade desses doentes, ela entrevistou pessoas que exerciam a função de principais cuidadores desses pacientes, mesmo sem possuir formação técnica, e que estavam cadastradas na Associação Brasileira de Combate ao Câncer Infantil e Adulto (Abraccia) ou na Associação Brasileira de Pessoas e Crianças com Câncer (Abrapec), em Ribeirão Preto, entre julho e novembro de 2010.

A pesquisadora observou que o envolvimento da família com a doença é anterior ao diagnóstico. "A família é a primeira a observar e avaliar os sintomas. " A partir disso, começa a buscar respostas, se envolve com serviços de saúde, atendimentos e exames com seus familiares adoecidos" , explica Carolina.

Uma das cuidadoras do estudo, chamada Helena, comentou que, durante os procedimentos e encaminhamentos, a comunicação era feita por meio de termos técnicos que não faziam sentido para ela. O diagnóstico da doença que acometeu seu marido foi revelado de forma rude e pouco sensível para as angústias e temores que vivia nessa fase.

O modo como os familiares receberam a notícia revela, segundo a pesquisadora, dificuldade de comunicação entre os profissionais de saúde e a família dos doentes de câncer. Este fato foi observado por Carolina, pelas revelações marcantes e cheias de angústias. Eles se viram sozinhos e desamparados, sentindo falta de compartilhar esse momento. " Perceberam que a vida de seus entes se encontrava sob ameaça, trazendo em seus relatos o quão marcante e difícil foi viver essa ocasião."

Escuta sensível

Para Carolina, no momento de comunicar o diagnóstico, é essencial que " os profissionais de saúde ofereçam escuta sensível" para as dúvidas, fantasias, mitos e temores dos familiares. É que, após o impacto da notícia, diz, eles mesmos buscam respostas para os sinais do início da doença e do porque do agravamento do quadro. " Apresentaram associações e atribuições de sentidos próprios, muito particulares relacionados muitas vezes aos hábitos de vida" , diz.

Com o passar do tempo, os cuidadores constatam o fracasso no tratamento. A pesquisadora comenta que esse fato indica que " muitas pessoas próximas do paciente sentem a impossibilidade de cura, como se os doentes já estivessem mortos em vida, evitando abrir possibilidades quanto à preparação para o morrer e a morte deles" .

Carolina garante mais uma vez que se trata de ausência de companhia para enfrentar todos os processos da doença. Para a psicóloga, a tarefa de aproximação com o ente e a identificação das possibilidades de ajuda, numa situação dessas, se tornam tarefas difíceis.

" O luto pelas constantes e progressivas perdas e ausência de saúde, evidenciada pela fragilidade do paciente, faz com que a família viva circunstâncias extremas nas quais chega a desejar a morte do paciente, ao mesmo tempo em que enfrenta sua própria perda em relação à ilusão de imortalidade, da eternidade que muitas vezes sentimos" , comenta a pesquisadora. Ela diz que a falta de suporte evidenciada nas entrevistas tornou o processo ainda mais doloroso, por isso ressalta que o auxílio dos profissionais de saúde pode ser essencial.

Os estudos da psicóloga Carolina foram apresentados em agosto de 2012 como a dissertação de mestrado Vivências de familiares de pacientes com câncer em processo de terminalidade de vida: um estudo clínico-qualitativo. A pesquisa foi orientada pela professora Renata Curi Labate, da EERP.

Fonte: USP
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Comentários:
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Luisa Margarido
postado em:
02/12/2012 11:58:03
Absolutamente correto, os médicos e profissionais da área quando entram em contato com um paciente em estagio terminal, não se preocupam com a forma com que vão tratar o assunto junto à familia do doente. Simplesmente falam com seus termos técnicos e se afastam... como quem não se importasse com o vai acontecer depois ou que foi culpa do paciente ou até mesmo da familia, que não correu no inicio da doença, que muitas vezes é tão silenciosa que quando se manifesta já está super avançada que não há que se fazer.Mas para mim enquanto houver o sopro da vida e um coração batendo ainda há a esperança da cura, pois eu acredito em milagres, Jesus é o mestre dos médicos, o maior médico do mundo, Deus nosso advogado e Maria nossa maior intercessora, não poderia existir melhor equipe médica. Isto esta acontecendo comigo, exatamente agora,com meu paizinho amado na UTI, isto, porque fizemos muito barulho para conseguir que as coisas andassem pelo menos um pouco. Hoje vejo o quão dificil é lidar com um Sistema que chamam de "CROSS" que nem sabem traduzir as siglas para nós leigos, sei que é por ele que as coisa devem acontecer, mas infelizmente não acontecem a tempo, para salvar as vidas que estão em jogo.A cada segundo que perdemos explicando o caso para um, para outro e mais outro... Meu paizinho vai perdendo 10 segundos de vida ou mais porque esta doença é muito agressiva, ela é implacável... Ele tem um tumor maligno diagnosticado numa Tomografia, mas há a necessidade de vários outros para conclusões finais.Fomos recusados no Hospital Regional de Taubaté, por ser a referencia de Lorena, que não tem profissionais nesta especialidade... É triste esta realidade ter que deslocar um paciente até outra cidade para não dar em nada, por conta disto seu quadro se agravou, enfim estou muito irritada com o descaso, não vou deixar quieto, vou tentar entender melhor esta maluquice, mas vou lutar para ninguem passar pelo que estou passando.
Meire Fatima
postado em:
29/11/2012 14:11:25
..É exatamente assim que ocorre quando recebemos um diagnóstico deste porte. O chão se abre...Sentimo-nos frágeis, incapazes de agir...
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