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publicado em 18/11/2012 às 17h00:00
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Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp mostrou que a dieta materna hiperlipídica (rica em gorduras) para roedores, durante períodos críticos do desenvolvimento da prole, levou os filhotes a terem alterações metabólicas na vida adulta. Apesar dos experimentos serem feitos com animais, existem estudos na literatura avaliando mulheres com alterações de dieta que já demonstram doenças metabólicas e que poderão levar efeitos sobre os filhos.

Foi o que sugeriu essa pesquisa ainda preliminar que teve a orientação do docente da FCM José Antonio Rocha Gontijo e coorientação da pesquisadora Adrianne Palanch.

Durante a pesquisa do biólogo Luiz Fernando Possignolo, autor do estudo feito em ratos, os roedores apresentaram resistência à insulina, hipertensão e alterações na expressão de proteínas ligadas ao transporte de colesterol e à via inflamatória. Esse período crítico ocorre na gestação pelo fato de o feto se desenvolver pelos estímulos da mãe, " que lhe dá uma ideia prévia do ambiente lá de fora para, quando nascer, estar preparado para essa vida. A isso chamamos programação fetal" , define Possignolo. Segundo ele, isso criaria no feto condições metabólicas, funcionais e morfológicas diferentes dos filhotes cujas mães tiveram uma dieta saudável.

O biólogo avaliou, entre 2010 e 2012, o efeito da dieta hiperlipídica materna durante a gestação. A sua pergunta de pesquisa era se essa dieta poderia gerar disfunções no transporte do colesterol da prole em diferentes idades.

Experimentos

Nos experimentos, as mães receberam essa dieta crônica contendo 60% de calorias provindas de lipídios (sobretudo gordura saturada) a partir da terceira até a oitava semana de vida. Depois acasalaram e continuaram a ingestão no período gestacional e na lactação. É como se tivessem uma alimentação desequilibrada da adolescência ao desmame dos filhotes.

Elas foram divididas em dois grupos: um grupo controle, que recebeu uma dieta saudável, e o grupo de estudo, submetido a uma dieta hiperlipídica. O pesquisador fez uma avaliação em vários períodos de desenvolvimento da prole: antes do nascimento (com 17 dias gestacionais) e depois do nascimento com 12 dias, 8 e 16 semanas de vida.

O objetivo de Luiz era desvendar os receptores SR-BI e ABCA1, relacionados com o transporte de colesterol em vários órgãos, como placenta, intestino delgado, fígado e rins. No estudo, essas proteínas, encarregadas da captação de colesterol, estavam aumentadas nos rins, o órgão que exibiu os resultados mais expressivos.

Enquanto a função da SR-BI é a de captar o colesterol para dentro das células renais, a ABCA1 exporta-o para fora. Essa alteração sugere então que as células renais possivelmente captam mais colesterol nos animais programados.

Luiz estima que isso se deveu a um aumento da ABCA1 para não permitir o acúmulo de colesterol, já que a mãe consumia uma dieta rica em lipídios, como resultado da programação fetal. Deste modo, esses animais já estavam " programados" a ter uma maior expressão dessa proteína.

Esse período crítico ocorre na gestação pelo fato de o feto se desenvolver pelos estímulos da mãe, que lhe dá uma ideia prévia do ambiente lá de fora para, quando nascer, estar preparado para essa vida

Embora esses animais não se diferenciassem em termos de níveis plasmáticos de colesterol, os triglicérides aumentaram quando estavam com 16 semanas de vida [um rato é considerado adulto a partir da 10ª semana], havendo maior resistência à insulina.

Além disso, outro achado interessante revelado no estudo foi que tanto os filhotes de mães que receberam a dieta saudável quanto a dieta hiperlipídica apresentaram uma queda na expressão dos receptores ABCA1 (responsável pela produção da HDL - colesterol bom) e SR-BI (que capta o excesso de colesterol do sangue) no fígado.

" Descobrimos essa diminuição à medida que os animais envelheciam. Pode ser que a idade seja um fator relevante para esses receptores, que terão menor expressão, podendo contribuir para um acúmulo de colesterol nos tecidos periféricos com o passar da idade" , enfatiza Luiz.

Programação fetal

A biomédica Flávia Mesquita, do mesmo laboratório de Luiz, conta que a programação fetal é um termo muito difundido para evidenciar alterações nos fetos em consequência do ambiente intrauterino inapropriado. Mundialmente, este tema é debatido em congressos da Sociedade Internacional DOHaD (Origens Desenvolvimentistas da Saúde e da Doença). Flávia salienta que essa programação não é exclusiva, como consequência de uma dieta inadequada, mas também pode ser por estresse materno, depressão e exposição à poluição.

Com informações da Unicamp

Fonte: Isaude.net
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