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publicado em 16/11/2012 às 16h32:00
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Antônio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica
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Antônio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

Não é exagero dizer que médicos estudam a vida inteira. Depois que se formam, passam pela residência médica, especializações, e muitos deles ainda seguem por mestrados, doutorados, pós-doutorados. Ainda, devem manter-se atualizados, participando de congressos, muitos internacionais, para manter válido seu título de especialista. Tudo a custa de tempo e investimento de recursos.

Consultório, secretária, telefone, computador, equipamentos para exames, materiais descartáveis, entre outras coisas, também são despesas importantes. Sem falar que o médico é um ser humano, que paga aluguel, conta de luz, gás, supermercado, escola dos filhos, e por mais incrível que possa parecer, paga uma fortuna em planos de saúde para a família toda.

E o que este médico recebe em troca atualmente? Doze reais. Isso mesmo. Existem, ainda hoje, operadoras de saúde que pagam por uma consulta médica a vergonhosa quantia bruta de R$ 12. São exceções, claro, mas o valor médio (bruto) não ultrapassa R$ 50,00. Tirados todos os gastos de manutenção de consultório e impostos, sobram líquidos algo em torno de R$ 5,00, segundo estudo recente da Associação Paulista de Medicina.

Não é difícil escutar um paciente reclamando que o seu médico de confiança deixou de atender o seu plano de saúde. Esta medida é muitas vezes a única alternativa encontrada por este profissional para conseguir manter o seu consultório. A situação está à beira do caos, insustentável.

Por esta razão, há ao menos uma década entidades médicas de todo o país promovem manifestações de alerta às operadoras e planos de saúde, bem como para as autoridades, governo e população. Foi o que aconteceu recentemente, em 25 de abril, quando profissionais de medicina protestaram em todo o País. Na cidade de São Paulo, houve passeata na Avenida Paulista com mais de mil médicos para alertar a população que infelizmente não aguentaremos por muito tempo sem uma grande mudança nas políticas de remuneração e condições de trabalho.

O atendimento não foi interrompido, pacientes não foram prejudicados, foi apenas mais um grito de advertência de uma classe desprotegida em sua árdua missão de cuidar do próximo.

Enquanto os honorários médicos foram reajustados, em média em 50%, nos últimos 11 anos os planos de saúde promoveram aumentos da ordem de 150% nas mensalidades pagas por seus usuários. Mais do que isso, crescem, ano a ano, cerca de 10%, totalizando, hoje, 50 milhões de usuários em todo o Brasil.

Temos consciência de que estes convênios são essenciais para cobrir a lacuna da falta de investimentos e de ineficiência da assistência pública. Se hoje o SUS oferece um atendimento aquém do que deveria e poderia, imaginemos o que aconteceria se outros 50 milhões de usuários passassem a depender dele da noite para o dia? Por este motivo, as reivindicações dos médicos buscam, apenas, oferecer condições dignas de trabalho, para que possamos dispensar aos cidadãos o atendimento que merecem.

De acordo com documento entregue à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) pelas entidades médicas nacionais, as reivindicações são de aumento da remuneração para R$ 80, por consulta; data-base para reajuste; contratos formalizados e prazo fixo para pagamento de honorários. Outro ponto da maior relevância é o fim das interferências das operadoras na autonomia do médico. Não é possível mais trabalhar com limitações nos pedidos de exames, redução em tempo de internação ou negativas à realização de cirurgias. Estas decisões só cabem ao médico e a mais ninguém.

Sem uma resolução definitiva para estes entraves, fica cada vez mais difícil manter os médicos credenciados aos planos de saúde, especialmente àqueles que menos valorizam a medicina e os pacientes. Consequentemente, os pacientes terão cada vez menos opções dentro das respectivas redes credenciadas, aguardando mais tempo por uma consulta e enfrentando maiores obstáculos para ter sua saúde e direitos assegurados.

Fonte: CFM
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