Reeleito presidente dos Estados Unidos, Barack Obama terá entre seus maiores desafios o avanço econômico do país, a geração de empregos e a criação de um sistema universal de acesso à saúde. No combate à aids, Obama terá que enfrentar uma epidemia crescente em pessoas com mais de 50 anos.
Atualmente, cerca de 10% das novas infecções pelo HIV nos Estados Unidos ocorrem entre pessoas com mais de 50 anos. Segundo o diretor do Escritório Nacional de Políticas Anti-Aids, Grant Colfax, " a prevenção entre pessoas mais velhas é mais complicada porque os médicos são menos propensos a considerar a possibilidade de infecção nesta população."
Segundo dados nacionais, as taxas de HIV entre pessoas com mais de 50 anos são 12 vezes maiores em afro-descendentes e cinco vezes maiores nos latinos, em comparação com os brancos. Um dos fatores que colaboram com este fenômeno é o fato das populações negras e latinas terem, em geral, menos acesso aos cuidados clínicos.
Durante sua campanha à reeleição, Obama não citou o combate à aids como prioridade, segundo reportagem publicada recentemente pelo site Global Post. Este conceituado portal de notícias ressalta que, apesar de ter mantido o PEPFAR (Plano de Emergência do Presidente dos EUA para o alívio da Aids) - criado em 2003 por George W. Bush - a gestão Obama deixou de usar, em 2012, quase 1,5 bilhão de dólares reservados para este Plano.
O presidente reeleito foi elogiado por criar um plano nacional contra a epidemia, mas segundo ativistas, os meios para se atingir as metas traçadas ainda não estão claros.
Em 2010 e 2012, durante as Conferências Internacionais de Aids na Áustria e nos Estados Unidos, respectivamente, ativista criticaram Obama por manter as mesmas políticas conservadoras que Bush na área.
Os militantes destacaram o fato do governo Obama continuar trabalhando como " parceiro e amigo" da indústria farmacêutica. Segundo documento divulgado na Conferência de Washington, os Estados Unidos criaram uma lista de " Atenção Especial" para alguns países, como o Brasil, a Índia e a Tailândia, depois que essas nações se recusaram a pagar pelos altos preços das patentes dos medicamentos antiaids fabricados por laboratórios.
Brasil
Em entrevista à Agência de Notícias da Aids em 2011, a coordenadora no Brasil do Departamento de Aids da USAID (Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional), Nena Lentini, afirmou que o foco da Agência é apoiar estratégias de aconselhamento e testagem rápida entre grupos de maior vulnerabilidade ao HIV.
Uma das ações que a agência apoia no Brasil é o projeto Quero Fazer. Trata-se de uma unidade móvel de teste rápido para HIV que oferece o resultado em cerca de 30 minutos, com sigilo e segurança. O trailer fica estacionado próximo a locais onde gays, HSH (homens que fazem sexo com homens) e travestis costumam frequentar, em horários alternativos aos serviços disponíveis. A iniciativa é executada pelo Espaço de Prevenção e Atenção Humanizada (EPAH) em parceria com o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.