A sabedoria popular oferece receita milagrosa para tudo. Para cada caso - dor de cabeça, inflamação na garganta, prisão de ventre -, um chá é recomendado. Eles parecem inofensivos, mas os especialistas alertam: é preciso tomar cuidado com essas fórmulas. As plantas medicinais possuem princípios ativos que podem ser prejudiciais à saúde quando combinados com certos remédios. Em casos extremos, podem levar pacientes à morte. As reações dependem de que parte da planta é utilizada na receita, da temperatura e da concentração do chá, dos componentes do medicamento e do estágio da doença. Para evitar sustos, os pacientes devem informar o consumo das soluções caseiras ao médico desde a primeira consulta.
O problema é que esse não é um hábito muito comum entre os pacientes. A farmacêutica Ivane Graciano constatou que 149 diabéticos, cardíacos e hipertensos da terceira idade utilizam plantas medicinais e não avisam ao médico. A conclusão está na dissertação de mestrado Prevalência do uso de fitoterapia em pacientes do Programa de Geriatria do Hospital Universitário de Brasília. A pesquisadora entrevistou 180 idosos e revelou no estudo que os principais efeitos causados pela combinação entre as receitas caseiras e os fármacos são intoxicação, envelhecimento acelerado, alteração das características e dos efeitos dos medicamentos.
Ivane exemplifica: os diabéticos tomam remédios para diminuir a quantidade de açúcar no sangue. Se eles tomarem o chá conhecido como pata-de-vaca - popularmente "receitado" para a doença -, sentirão fome e tremedeira porque a planta provoca queda ainda maior na taxa de açúcar do sangue. Caso mais grave seria a combinação da varfarina, princípio ativo presente na aspirina, com chá de boldo, utilizado "para tornar mais ralo o sangue". Em vez de aumentar a coagulação, a mistura colocaria o paciente em risco de ter uma hemorragia.