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publicado em 28/10/2012 às 10h50:00
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Foto: Divulgação/UFMG
O pesquisador da UFMG Rafael Polidoro.
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O pesquisador da UFMG Rafael Polidoro.

Modificar o vírus da influenza para desenvolver vacina bivalente que proteja contra a doença de Chagas e a gripe. A ideia, que resultou em depósito de patente para a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), já tem eficácia comprovada em modelo animal.

" Ambas são doenças infecciosas que induzem uma resposta imunológica do tipo inflamatória" , explica o doutorando Rafael Polidoro Alves Barbosa, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), autor de trabalho sobre o tema, vencedor do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia, na categoria Jovem Pesquisador.

O projeto consiste em alterar um vírus influenza H1N1, que funciona como vetor vacinal e carrega um gene do Trypanosoma cruzi, protozoário causador da doença de Chagas. Embora o modelo trabalhe especificamente com o vírus A/WSN/33, a vacina pode ser adaptada à linhagem da gripe prevalente a cada ano.

" O influenza é relativamente fácil de ser usado geneticamente, pois tem só oito genes e normalmente codifica dez proteínas. Assim, precisamos mudar pouca coisa para transformá-lo em uma ferramenta viável" , descreve Polidoro. Ele acrescenta que a possibilidade de gerar vírus influenza recombinantes pela técnica de genética reversa faz deles " alvos atraentes de estudos de vetores para doenças causadas por protozoários" .

O trabalho de Rafael Polidoro tem como base dois vírus criados em laboratório - um produzido por ele e um adenovírus construído pelos professores Bruña-Romero e Machado, em 2006. " Usando técnicas de genética reversa, chegamos a vírus influenza recombinantes que carreiam porções da proteína ASP-2 de T. cruzi" , conta o biólogo. Segundo ele, o experimento começa sem vírus, pois eles surgem a partir de cortes, colagens e clonagem de genes em DNA de bactérias - neste caso específico, genes de influenza e T. cruzi.

" Com a tecnologia recombinante, construímos os genes de interesse, combinamos com os outros genes do vírus e adicionamos todos em células permissíveis a plasmídeos. Os vírus se formam a partir do encontro dos genes do vírus na mesma célula" , resume.

Testes

Usando os vírus construídos por ele e por seus colaboradores, Polidoro vacinou camundongos com duas doses - a primeira de influenza via intranasal e a segunda, um mês depois, de adenovírus injetados por via subcutânea. Ao testar a resposta imunológica, ele constatou que 14 dias após a segunda dose já havia anticorpos em alguns grupos. Aos 21 dias, a resposta imunológica celular e a produção de substâncias defensoras estavam presentes em grande quantidade no grupo influenza-adenovírus. Além disso, constatou a existência, neste grupo de camundongos vacinados, de população de células imunodominantes, isto é, capazes de proteger contra o parasito T. cruzi.

" Assim, quando em 28 dias após a vacinação os camundongos com uma dose cinco acima da letal de Trypanosoma cruzi, a sobrevida do nosso grupo de estudo chegou a quase 80%" , explica o pesquisador. Para confirmar a eficácia da , Polidoro comparou os resultados com grupo de animais que receberam os vírus sem a proteína do T. cruzi e constatou que todos morreram cerca de 20 dias após a infecção. Portanto, na avaliação experimental em animais, o pesquisador mostrou que os influenzas recombinantes foram capazes de estimular linfócitos, quando combinados com adenovírus que carreavam o segmento da proteína ASP-2 de T. cruzi.

Apesar do longo caminho a percorrer, a pesquisa já alcançou estágio que permite sua transferência para a indústria, onde ocorreriam as próximas fases de testes. Como lembra Polidoro, o animal utilizado nos estudos de laboratório é um modelo específico, daí a necessidade de passar para um mais complexo, como primatas, antes de chegar à fase dos testes em humanos.

Com informações da UFMG

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Doença de Chagas    H1N1    Vacina bivalente    UFMG    Universidade Federal de Minas Gerais   
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