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publicado em 09/10/2012 às 13h51:00
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Américo Tângari Jr., médico cardiologista do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.
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Américo Tângari Jr., médico cardiologista do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Crianças e adolescentes adoram hambúrguer, ainda mais com aquele catchup escorrendo pelos dedos; passam ali horas a fio, nas praças de alimentação dos shoppings, " lambendo podre delícia" , como na música de Milton Nascimento e Fernando Brant. Uma farra regada a muito açúcar, gorduras e sódio. Uma delícia também para algumas mães, que se valem do gosto de seus filhos pelo fast food para se livrar de algumas obrigações caseiras. Se for só num dia de fim de semana, ainda passa.

Depois, se as crianças já estão um pouco roliças, a pele esticada nos contornos arredondados das faces e da cintura, essas mães ficam felizes, sinal de saúde. Uma herança do passado, quando se pensava que criança com sobrepeso era criança saudável. Não corria nem pulava como as outras, mas comia bem, graças a Deus! E a bochecha gorda ficava à disposição daquele tio chato que vinha beliscar e apertar.

Pois bem, senhores pais: livrem-se desses costumes, evitem que se tornem rotineiros; é um grande passo para a boa saúde de seus filhos no futuro. Por mais que eles insistam, desviem o rumo para outros endereços dentro ou fora dos shoppings. Criança obesa não é saudável; ao contrário, pode estar a caminho de uma vida de tormentos no cuidado com a saúde.

O problema não é só aquele passeio ao shopping ou o mau hábito: é a rotina, a insistência nesse tipo de alimentação. Prazer que se torna um perigo também na pizza de todo dia. É mais fácil pegar o telefone e pedi-la em casa, mas saiba que a consequência pode ser danosa.

É muito importante que se saiba que nada pode ser proibido como numa ditadura, nem o hambúrguer. O que vale mais é o bom senso, a informação usada para o bem.

Um estudo recente da Universidade de Oxford veio comprovar mais uma vez que a obesidade infantil pode trazer mais riscos do que se supunha anteriormente. Crianças com peso acima do normal têm um risco de 30% a 40% maior de, no futuro, sofrerem enfarte e outras doenças em comparação às outras com índice de massa corpórea (IMC) normal.

Mas sabemos que a principal causa da obesidade é a má alimentação, seguida pelo sedentarismo. Os hábitos alimentares, ao contrário do que muitos imaginam, são consequência dos estímulos recebidos na infância.

Os pais devem ser os maiores incentivadores dos filhos para a ingestão de alimentos ricos em vitaminas como frutas, legumes e verduras. A prática de atividades físicas desde cedo faz crescer o gosto pelo esporte e é importante aliada no combate a problemas cardiovasculares na fase adulta. Isto ajuda o coração a desenvolver artérias colaterais, que no futuro poderão ser fundamentais para a saúde vascular.

Crianças devem ser incentivadas a apreciar a atividade esportiva associada a diversão, especialmente em grupo, como futebol, natação, vôlei, basquete e jogos recreativos, que requerem movimentação corporal (pega-pega, esconde-esconde etc).

O fato é que o coração de uma criança tem características próprias a serem consideradas no momento da avaliação médica, da infância até a adolescência. Qualquer situação anormal identificada pelo pediatra deverá ser investigada por um cardiologista.

Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cerca de 15% das crianças e 8% dos adolescentes são obesos. E oito em cada dez continuam a ter excesso de peso na fase adulta.

Portanto, reflita: vale muito mais a pena fugir de um hambúrguer do que uma corrida inesperada ao hospital.

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