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publicado em 07/10/2012 às 14h16:00
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Estudo da Unicamp detectou em 47,6% dos alunos avaliados em uma escola algum grau de dificuldade para visualizar imagens

 
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Foto: Antoninho Perri/Ascom/Unicamp
Enfermeira e Ortoptista Monalisa Jaime Sbampato Souto, autora da pesquisa.
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Enfermeira e Ortoptista Monalisa Jaime Sbampato Souto, autora da pesquisa.

Estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) avaliou 128 estudantes de uma escola estadual de ensino fundamental do município, no interior de São Paulo, e detectou que 60 deles possuíam algum grau de dificuldade para enxergar imagens em profundidade. " Os exames foram realizados independentemente se a criança apresentava algum sintoma, utilizava óculos ou havia feito consulta oftalmológica prévia. Ou seja, é fundamental o trabalho de prevenção, principalmente nas escolas. Estamos falando de 47,6% dos avaliados com algum tipo de alteração" , destaca a enfermeira e ortoptista Monalisa Jaime Sbampato Souto, responsável pela pesquisa.

Monalisa defende um protocolo para a inclusão preventiva do teste de acuidade estereoscópica na avaliação da saúde ocular dos estudantes ao ingressarem na escola. Este teste permite detectar algum tipo de alteração visual para imagens tridimensionais, independentemente das queixas. Em geral, explica ela, são adotados apenas exames de acuidade visual tradicionais em que se identificam alterações mais básicas como a necessidade ou não de utilização de óculos para miopia ou hipermetropia. " Ainda assim, estes testes não obedecem a um cronograma contínuo. Com a invasão forte de materiais em 3D, minha inquietação é que não existem ações em relação às prevenções acerca das perdas visuais" , alerta.

Teste de acuidade estereoscópica

Segundo a ortoptista, o teste de acuidade estereoscópica é relativamente simples, rápido e pode ser feito até mesmo por um professor bem treinado. O custo dos instrumentos é baixo - em torno de R$ 500,00 - perto dos benefícios que pode oferecer para a criança que, uma vez detectada alguma alteração, seria encaminhada para um exame especializado com o oftalmologista. " Com a inserção de materiais didáticos tridimensionais, muitas crianças podem até ser classificadas como incapazes de acompanhar alguma atividade, quando na verdade o problema está na dificuldade de reconhecer a tridimensionalidade" , analisa a enfermeira, lembrando que as lousas eletrônicas estão cada vez mais presentes em sala de aula.

Resultados

A questão central do estudo foi, justamente, fazer um alerta para a população sobre as capacidades visuais individuais e detecção das alterações precocemente. A enfermeira percebeu que poderia oferecer uma contribuição com o estudo ao deparar com uma cena no cinema em que estava projetando um filme em 3D. Uma senhora pediu para trocar várias vezes os óculos com o recepcionista. " Percebi que não era defeito dos óculos, e sim uma alteração que esta senhora tinha para enxergar em profundidade" , esclarece.

As causas são as mais variadas e as alterações são mais fáceis de encontrar do que se imagina. Um exemplo, conforme a enfermeira, são as pessoas estrábicas, monoculares e com algum tipo de desvio ocular. "É uma espécie de doença silenciosa, pois a pessoa pode não atentar para o problema que tem. Aliás, no caso de estudantes, muitas vezes nem o professor ou os pais atentam para a questão" , analisa. No estudo, Monalisa fez entrevistas com os professores dos voluntários e observou que eles tinham a percepção de que apenas seis crianças tinham dificuldades para enxergar.

Necessidade do profissional ortoptista

Outra vertente do trabalho realizado por Monalisa Souto destaca a importância do profissional ortoptista para a avaliação das perdas visuais e o acompanhamento de condutas terapêuticas para correção dos problemas. A profissão não possui regulamentação e a sua especialização está desaparecendo das faculdades. " O ortoptista é pouco conhecido pela população, mas deve ganhar destaque nos próximos anos com as tendências da tridimensionalidade" , acredita. Monalisa lembra que a profissão surgiu, justamente, a partir de uma epidemia de tracoma que atingiu os pilotos ingleses na Segunda Guerra Mundial causando baixa visual em um dos olhos e consequentemente a perda da noção de profundidade. Foi notado que se envolviam em acidentes sempre que aterrissava o avião por não reconhecerem a terceira dimensão. " Daí surgiu o teste ortóptico e, consequentemente, a profissão de ortoptista, que atua auxiliando o oftalmologista" .

Com informações da Unicamp

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   3D    Oftalmologia    Enxergar em profundidade    Enfermagem    Campinas    Unicamp   
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