Saúde Pública
publicado em 24/09/2012 às 20h53:00
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Foto: Muhammad Mahdi Karim
Foto: Tânia Rêgo/ABr
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Em poucas semanas os mosquitos com Wolbachia se tornaram predominantes nas populações locais de Aedes aegypti. Projeto internacional testa método de controle da dengue inédito no Brasil. Programa Fachada da Funcação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
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Em poucas semanas os mosquitos com Wolbachia se tornaram predominantes nas populações locais de Aedes aegypti.
Projeto internacional testa método de controle da dengue inédito no Brasil. Programa "Eliminar a Dengue" é uma estratégia de longo prazo que irá beneficiar um número estimado de 2,5 bilhões de pessoas
Fachada da Funcação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Uma estratégia de combate ao mosquito Aedes aegypti foi anunciada durante o Congresso Internacional de Medicina Tropical e Malária, nesta segunda-feira (24), no Rio de Janeiro. O projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil utiliza a bactéria Wolbachia para bloquear a transmissão do vírus da dengue pelo mosquito Aedes aegypti de forma natural e autossustentável.

Em estudo com a participação do pesquisador da Fiocruz Luciano Moreira, líder do projeto que será desenvolvido no país, os cientistas que integram a iniciativa internacional demonstraram em laboratório que, quando é introduzida no Aedes aegypti, a Wolbachia atua como uma "vacina" para o mosquito, bloqueando a multiplicação do vírus dentro do inseto. Como consequência, a transmissão da doença é impedida. Naturalmente presente em cerca de 70% dos insetos no mundo, a Wolbachia é uma bactéria intracelular e não existem evidências de qualquer risco para a saúde humana ou para o ambiente.

O método de controle se baseia na soltura programada dos mosquitos com Wolbachia, que, ao se reproduzirem na natureza com mosquitos locais, passam a Wolbachia de mãe para filho por meio dos ovos. Com o passar do tempo, a expectativa é de que a maior parte da população local de mosquitos tenha Wolbachia e seja incapaz de transmitir dengue.

Projeto australiano

Na Austrália, desde 2011 os pesquisadores realizam a soltura de mosquitos com Wolbachia em localidades selecionadas no norte do país - onde ocorrem casos de dengue, embora com números muito inferiores aos vivenciados no Brasil. Como conseguem transmitir a Wolbachia de geração em geração por meio dos ovos e têm vantagens reprodutivas (tendo maiores chances de deixar prole), em poucas semanas os mosquitos com Wolbachia se tornaram predominantes nas populações locais de Aedes aegypti.

Caso os testes sejam bem sucedidos, o uso da Wolbachia tem o potencial de ser uma tecnologia autossustentável, uma vez que a perpetuação da característica é garantida no processo reprodutivo do mosquito, dispensando os custos de soltura continuada no ambiente. " Nossa expectativa é de que este método possa beneficiar milhões de pessoas que atualmente vivem em áreas endêmicas, de forma autossustentável e economicamente viável, sem danos ao ambiente" , afirma Luciano Moreira, da Fiocruz Minas Gerais e líder do projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil.

Até o momento, portanto, os estudos comprovaram dois aspectos centrais: que, em ambiente de laboratório, a Wolbachia é capaz de bloquear o vírus da dengue no mosquito e que os mosquitos com Wolbachia conseguem facilmente predominar em populações locais. Na atual fase, a estratégia será testada em países endêmicos, como Brasil, Vietnã e Indonésia, para verificar a viabilidade da estratégia entre populações locais de mosquitos.

Desafio Brasil

No Brasil, o projeto está em sua primeira fase. Neste momento, o projeto está focado, em ambiente de laboratório, na manutenção de colônias dos mosquitos com Wolbachia e no cruzamento com Aedes aegypti de populações brasileiras. A construção de uma estrutura de gaiola de grandes proporções no campus da Fiocruz, onde testes intermediários serão realizados, está programada para 2013. Além disso, estão sendo selecionadas as localidades para os testes de soltura em campo previstos para 2014, o que inclui conhecer dados entomológicos sobre as populações de mosquitos locais.

" Antes de qualquer definição das localidades, os moradores serão informados com todo o detalhamento necessário e serão previamente consultados sobre a adesão ao projeto. Para isso, contamos com uma equipe de engajamento comunitário, que está focada neste aspecto" , observa Luciano. " Havendo a aprovação das autoridades regulatórias e com o consentimento dos moradores das localidades que serão selecionadas, o planejamento é de que tenhamos os primeiros testes de campo com soltura dos mosquitos em maio de 2014, em época fora do pico de casos" , informa Luciano, que coordena uma equipe multidisciplinar de entomologistas, pesquisadores de campo e profissionais dedicados ao engajamento comunitário.

Após a soltura, a viabilidade do projeto será avaliada e as localidades serão monitoradas por vários meses para verificar se os mosquitos com Wolbachia conseguiram se estabelecer na natureza. Em fases posteriores, o impacto sobre a incidência de dengue será avaliado.

Veja como a Wolbachia atua no controle da dengue.

Com informações da Fiocruz

Fonte: Isaude.net
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