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publicado em 11/09/2012 às 14h59:00
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A necessidade de pensar diferente no enfrentamento da epidemia de hepatite C

Carlos Varaldo, presidente do Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite.

 
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Carlos Varaldo é presidente do Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite.
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Carlos Varaldo é presidente do Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite.

O enfrentamento da epidemia depende pura e exclusivamente da caneta do ministro da saúde.

Se diagnosticadas 100% das pessoas infectadas com hepatite C e esses doentes recebessem tratamento com os novos medicamentos já existentes, se logra uma possibilidade de cura de aproximadamente 80% considerando todos os genótipos e, assim poderíamos diminuir as mortes relacionadas ao fígado em 70%. O cálculo aceito pela comunidade científica internacional foi publicado na revista Gastroenterology (Davis GL, et al. Gastroenterology. 2010;138:513-521). Isso significa que, aproximadamente, 30 milhões de mortes seriam evitadas no mundo nas próximas duas décadas.

Mês passado, a Organização Mundial da Saúde divulgou dados sobre as maiores taxas de indivíduos infectados com hepatite C em alguns países, informando que no Egito 22% da população está infectada, no Paquistão 4,8% e na China 3,2%. No Brasil, um inquérito nacional realizado pelo ministério da saúde nas capitais dos estados, encontrou entre 1,38% e 1,56% de prevalência o que representa, ao se expandir para o total do Brasil, uma estimativa entre 2,6 e 3 milhões de brasileiros infectados com hepatite C, pior ainda, 95% ainda não foram diagnosticados, desconhecendo que estão doentes.

Segundo o cálculo publicado na revista Gastroenterology, o diagnóstico e tratamento desses milhões de brasileiros infectados evitaria, entre 430.000 e 500.000 mortes causadas pelas complicações da hepatite C como: cirrose e câncer de fígado.

Os números impressionam mais ainda, quando comparados aos infectados com a epidemia da AIDS. A estimativa de infectados com o vírus da AIDS no Brasil é de 600.000 pessoas. O número de infectados com hepatite C é cinco vezes maior!

Curiosamente, a hepatite C se encontra aos cuidados do Departamento DST/AIDS do ministério da saúde, mas apesar de se tratar de uma epidemia cinco vezes maior que a AIDS os recursos destinados são quatro vezes menores, resultando em um quadro de atenção governamental alarmante, faltando visão estratégica e aparente menosprezo pela doença. Atualmente, 1 de cada 3 infectados com AIDS recebe tratamento, enquanto entre os infectados com hepatite C somente 1 em cada 260 infectados recebe tratamento.

Os dados da Organização Mundial da Saúde são alarmantes e o governo brasileiro deveria tomar as medidas necessárias para controlar a epidemia de hepatite C no país. Não podemos aceitar que após 10 anos da criação de um programa nacional de hepatites o número de pacientes em tratamento não consiga aumentar consideravelmente. O insignificante número de infectados em tratamento no país derruba qualquer explicação que possa ser dada pelos gestores federais. O gerúndio das explicações não pode ser mais aceito.

É urgente e necessário o ministro Padilha tomar a decisão política de enfrentar a maior epidemia que assola o povo brasileiro. A criação de um grupo de trabalho independente diretamente subordinado a seu gabinete, para realizar um plano estratégico de enfrentamento da epidemia e, também, para auditar e controlar os resultados alcançados pelos responsáveis da sua execução, pode ser o caminho para quebrar os paradigmas que paralisam a atual gestão.

O ministro Padilha deve seguir o ensinamento de Albert Einstein para conseguir mudar a atual letargia no enfrentamento da epidemia de hepatite C, o qual, sabiamente, ensinava que para conseguir mudar uma situação de paralisia "um novo tipo de pensamento é essencial ..." e esse novo tipo de pensamento depende pura e exclusivamente do poder da caneta do ministro da saúde.

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