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publicado em 10/09/2012 às 14h00:00
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Um grupo de cientistas do Brasil e dos Estados Unidos desenvolveu um novo método que permite diagnosticar alterações nos cromossomos de pacientes com câncer - em especial leucemias - com sensibilidade e rapidez drasticamente superior às técnicas de citogenética usadas convencionalmente.

O estudo, publicado na revista Blood, envolveu pesquisadores dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) dos Estados Unidos e do Centro de Terapia Celular (CTC), em Ribeirão Preto. Coordenado por Marco Antônio Zago, o CTC é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP.

De acordo com o artigo, a detecção de anomalias nos cromossomos permite prever a potencial resposta à terapia e, por isso, é considerada um dos principais sistemas para orientar o tratamento clínico.

" Detectar alterações nos cromossomos com a máxima rapidez e precisão é importante para que possamos diagnosticar o câncer e escolher melhor tratamento para o paciente, disse Rodrigo Calado, um dos autores do artigo, pesquisador do CTC e professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo Calado, o método convencional de citogenética, usado para detectar alterações no cromossomos, demora alguns dias para fornecer o resultado e analisa apenas 20 células do tumor, aproximadamente. Esse número limitado de células aumenta as chances de falsos negativos. " Com o método que desenvolvemos, podemos analisar de 20 mil a 30 mil células do tumor em um ou dois dias. Com isso, podemos encontrar alterações cromossômicas de forma muito mais precisa" , disse.

"Com o método que desenvolvemos, podemos analisar de 20 mil a 30 mil células do tumor em um ou dois dias."

Enquanto na técnica convencional de citogenética os cientistas precisam examinar as células uma a uma no microscópio, o novo método permite que até 30 mil células sejam analisadas rapidamente ao passarem por citômetro de fluxo - um equipamento existente em muitos laboratórios para outras finalidades.

" No citômetro de fluxo, a cada segundo centenas de células passam diante de um feixe de laser que identifica os florocromos que são utilizados para analisar os cromossomos. As anomalias são assim rapidamente detectadas" , afirmou.

A pesquisa

Calado, que voltou ao Brasil em 2011, depois de uma temporada de oito anos nos Estados Unidos como pesquisador dos NIH, já havia utilizado o método nos laboratórios norte-americanos com a finalidade de avaliar os telômeros, que são as extremidades dos cromossomos.

" Tínhamos muita dificuldade com as limitações dos métodos de citogenética, porque víamos um número pequeno de células e, especialmente em casos como a mielodisplasia - um tipo de leucemia -os resultados eram muito imprecisos e várias alterações cromossômicas passavam despercebidas. Assim, tivemos a ideia de utilizar o método de avaliação dos telômeros para fazer uma análise de alterações quantitativas do cromossomo como um todo" , explicou.

Para conseguir tal adaptação, os cientistas desenvolveram uma nova forma de preparar as células a fim de analisar os cromossomos - o que exige uma operação mais sofisticada que a preparação convencional - e aprimoraram os softwares de análise dos dados.

" O resultado foi um método de fácil aplicação, porque utilizamos o citômetro de fluxo, que é um equipamento que já existia e que é encontrado em muitos laboratórios. Com isso, o novométodo pode ser rapidamente utilizado na rotina" , disse.

Em sua aplicação original, o citômetro de fluxo é utilizado para analisar os telômeros, que são importantes marcadores de envelhecimento das células - processo que está ligado a uma série de doenças.

" O equipamento é utilizado em um método que serve para identificar telômeros muito curtos, o que permite detectar doenças como fibrose pulmonar e anemia plástica. O encurtamento telomérico é o melhor de todos os biomarcadores de envelhecimento" , afirmou Calado.

O artigo Interphase Chromosome Flow-FISH, de Neal Young, Rodrigo Calado e outros, pode ser lido por assinantes da Blood.

Fonte: FAPESP
   Palavras-chave:   Câncer    Cromossomo    Terapia    Oncologia    Estados Unidos    Citogenética    Marco Antônio Zago   
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