Geral
publicado em 09/09/2012 às 09h00:00
   Dê o seu voto:

 
tamanho da letra
A-
A+

Estudo desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revela que árvore conhecida como angico vermelho (Anadenantera peregrina) é capaz de recuperar solos em áreas contaminadas com arsênio. Sem cor, cheiro ou gosto, o arsênio é um semimetal - substância mineral menos pesada e menos sólida que o metal - altamente tóxico, encontrado na água, em rochas e até em meteoritos. Em casos menos graves, a contaminação por este material provoca lesões na pele que não cicatrizam. Em níveis mais elevados, podem ocorrer gangrena, danos a órgãos vitais e câncer.

Desde 2006, a equipe da UFMG tem se dedicado a um projeto de recuperação da Bacia do Rio das Velhas, que nasce em Ouro Preto e deságua no São Francisco. Um dos afluentes do rio é o córrego Água Suja, que corta o município de Nova Lima.

Tanto a água quanto o solo dessa região apresentam altos índices de arsênio devido à atividade mineradora praticada no local desde o século 19. Ao observar que o angico vermelho (na foto de Bruna Brandão) era uma das poucas plantas capazes de crescer no ambiente, o grupo se dedicou a investigar as propriedades do vegetal, que se revelou capaz de sequestrar o arsênio presente no solo.

Intoxicação

A análise do solo feita pela equipe ao longo de quase 200 metros da extensão inicial do córrego revelou que a concentração de arsênio variava de 200mg/kg a 27.500mg/kg, enquanto a quantidade do material considerada aceitável é de cerca de apenas 50mg/kg. Os sintomas da intoxicação vão desde doenças dermatológicas até complicações neurológicas e câncer.

Segundo Maria Rita, há relatos sobre trabalhadores da mina de Morro Velho que perderam o septo nasal devido ao contato com a substância. " O que acontece naquela região é um problema muito grave" , alerta. " As plantas absorvem o arsênio, que é levado até as folhas e os frutos que servirão de alimento a pessoas e animais da região."

O desafio da equipe de pesquisadores era encontrar plantas capazes de sugar a substância e armazená-la na raiz. " A maioria das espécies descritas na literatura científica como sequestradoras de arsênio são ' hiperacumuladoras' , isto é, transferem o material para as folhas. Esse é o caso da samambaia, por exemplo" , revela Maria Rita. Entretanto, para descontaminar o solo e recuperar a área, os biólogos precisavam encontrar plantas capazes de reter e acumular a substância apenas nas raízes, pois, se houver arsênio nas folhas, o solo será novamente contaminado quando elas caírem. Além disso, as espécies selecionadas deveriam ser necessariamente arbóreas, uma vez que a proposta era recuperar a mata ciliar que não pode ser formada por vegetação herbácea, incapaz de conter a erosão.

Testes

De 25 espécies testadas pelas equipes, o angico vermelho ficou entre as poucas árvores que conseguiam se desenvolver nas áreas mais contaminadas. A partir de experimentos, observou-se que ela era capaz de sequestrar grandes quantidades de arsênio sem transportá-lo para a parte aérea e a introdução de fungos micorrízicos nas raízes otimizava esse processo, duplicando os níveis de absorção.

Financiado pelo Ministério do Meio Ambiente, o projeto produziu mudas em estufa, que foram plantadas em 2008 em Nova Lima, especialmente às margens do córrego, numa estratégia para impedir que o arsênio atingisse a água. Passados quatro anos, diversas espécies sensíveis à substância já ocupam o espaço onde, antes, havia apenas solo nu.

Segundo pesquisadores, a mudança na paisagem confirma a eficácia da estratégia. " A sobrevivência de outras plantas próximo aos exemplares de angico indica que a árvore está, de fato, descontaminando o solo" , comemora a coordenadora. O próximo passo do projeto será testar o mulungu, outra espécie vegetal que, segundo pesquisas do grupo, tem potencial para absorver arsênio.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Angico vermelho    Arsênio    Semimetal    Câncer    Oncologia    UFMG    Universidade Federal de Minas Gerais   
  • Indique esta NotíciaIndique esta Notícia
  • Indique esta NotíciaCorrigir
  • CompartilharCompartilhar
  • AlertaAlerta
Link reduzido: 
  • Você está indicando a notícia:
  • Para que seu amigo(a) receba esta indicação preencha os dados abaixo:

  • Você está informando uma correção para a matéria:


Receba notícias do iSaúde no seu e-mail de acordo com os assuntos de seu interesse.
Seu nome:
Seu email:
Desejo receber um alerta com estes assuntos:
Angico vermelho    arsênio    semimetal    câncer    oncologia    UFMG    Universidade Federal de Minas Gerais   
Comentários:
Comentar
Deixe seu comentário
Fechar
(Campos obrigatórios estão marcados com um *)

(O seu email nunca será publicado ou partilhado.)

Digite a letras e números abaixo e clique em "enviar"

  • Twitter iSaúde
publicidade
Jornal Informe Saúde

Indique o portal
Fechar [X]
  • Você está indicando a notícia: http://www.isaude.net
  • Para que seu amigo(a) receba esta indicação preencha os dados abaixo:

RSS notícias do portal  iSaúde.net
Receba o newsletter do portal  iSaúde.net
Indique o portal iSaúde.net
Notícias do  iSaúde.net em seu blog ou site.
Receba notícias com assunto de seu interesse.
© 2000-2011 www.isaude.net Todos os direitos reservados.